quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Em tempos de urgência a notícia vem assim: "Lembra do Fulano? Morreu ontem."

E doí por dois minutos. Um silêncio curto na tentativa de buscar uma memória que ligue você aquele que deixou de viver.
E passou.

Uma passada na rede social pra ver quais foram os últimos passos, as últimas palavras... 
Quem escreveu com saudade?

Do que ele gostava mesmo?

E deu. Acabou.

A mãe que sorri na foto agradecida pelo lindo dia ao lado dos filhos é um tapa na minha cara de mãe.
Os amigos em comum me lembram que a gente podia ter tomado uma cerveja, qualquer dia.
Mas, a gente nem tomou.
A gente nem foi amigo.
Não dividi meus lanches na cantina, nem meu conhecimento na sala de aula.
Eu não fiz nada por você. Mas, você acabou de fazer algo por mim.

Você me lembrou de amar meus filhos e meus pais. Você me lembrou de tomar uma cerveja com os meus amigos.

Seus olhos distantes estão fechados. Isso, de algum modo, abriu os meus.

terça-feira, 28 de junho de 2016

2 Dar nome as coisas

Faz uns meses eu encontrei um conhecido no ônibus.

Ele nunca bebeu comigo. Ele não conhece meus amigos. Ele jamais encontrou com meu ex.
Ele não sabe nada da minha vida.

Mas foi ele que pela primeira vez revelou a verdade.

Na terapia, eu já tinha entendido que se alguém diz que você não vale nada e deveria morrer, não é amor, mas, foi um quase estranho que falou pela primeira vez em relacionamento abusivo.


Nós estávamos falando de trabalho, afinal, era isso que nós temos em comum e ele falou da sua credibilidade no meu potencial, e eu, descrente, baixei os olhos e agradeci.
Porque aprendi que tenho que agradecer se alguém confia no óbvio: eu posso fazer algo direito. TODO MUNDO PODE!
Ele, percebendo o meu desconcerto mencionou que já tinha sido avisado por um amigo que eu não acreditava muito em mim, por que eu vinha de um relacionamento abusivo.

Engoli em seco. Não chorei.
Queria chorar. Mas não chorei.

Tô chorando agora ao lembrar de como é fácil confundir medo com amor.
Tô chorando agora com pena de ter acreditado que eu era mesmo tudo o que diziam que eu era.
Tô chorando por tantas vezes ter sido o que queriam que eu fosse.

Uma coitada, resignada, acuada.
Olhos baixos agradecendo o amor que recebia.

Afinal, era o amor que eu achava merecer.

E não era amor... era cilada.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Eu queria conversar mais com ela.
Mas não dá. Não consigo. Nós não conseguimos.

Eu sempre vou cheia de dedos, pq ela é colorida, mesmo com seus métodos e regras infindos e eu sou essa coisa bege/nude/preto e branco, cheia de ideias libertárias.
Chorei na frente dela. Acho que eu não chorava diante dela desde que eu tinha 12 anos.
E como foi difícil chorar agora, por que eu agora sei a dor que uma mãe sente quando vê um filho chorarando.
Desculpa! Desculpa por chorar por nada.

Quando eu era criança era comum no meio de uma brincadeira, eu parar de brincar e ir para um canto e chorar. Chorava copiosamente por horas até que todos os amiguinhos estivessem ao meu redor, numa tentativa insana de me fazer sorrir. E eu não sorria por nada.
Não era estrelismo, era dor.

Sábado, no meio daquele choro incontido eu me lembrei que desde criança eu dizia "Não é nada". E ai, ela e meu pai questionavam: "Ninguém chora por nada" e eu chorava de novo, dizendo "Eu choro por nada"

Choro por nada, e imagino que deve ser bem ruim alguém que tem Tudo ficar ali, se desmanchando e chorando por nada.

Eu choro por nada desde que eu era pequena e via você, linda e colorida, colocando as coisas em ordem.
Eu choro por que eu nunca consegui estar em ordem.





quarta-feira, 5 de março de 2014

2 Terapia

Comecei terapia.
Pq eu precisava, pq eu merecia.
Pq meu coração estava em tantos pedaços que quando me sentei pra colar, vi que sozinha não seria capaz.
Chamei ajuda de alguém experiente. Alguém que colou vários pedaços de algumas gentes.
E ai, ele tirou o meu coração do lugar e soprou com força: poeira e teias de aranha

Eu me assustei quando colocou o coração em cima da mesa e me disse "Preciso do seu cérebro agora."

Se tem meu coração e meu cérebro, eu não sei muito bem o que vai sobrar pra mim.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

"Eu tatuaria seu nome na minha cara e se nada desse certo, eu faria uma borboleta em cima"

Por que se não for pra correr riscos, pra brincar de vida, eu não vou saber se vale a pena.
E viver em banho-maria, certamente, não vale.

sábado, 14 de setembro de 2013

Me afogo com minhas próprias palavras. Não falo.
Não falo porque é agressivo, ou porque é intimo, ou porque é desnecessário.
Não falo porque me condicionaram a agradar pelo silêncio. E eu quero agradar.
Não fala porque se falo, quem me ouve não escuta bem.
Minhas piadas caem mal nos ouvidos alheios.

Prendo meu corpo na cadeira. Queria dançar, voar, correr solta na grama. Mas me prendo na cadeira.
Amarro a alma e a mente na tentativa de não ir muito longe com to da essa loucura.
Prendo meu corpo na cadeira para não ir tão longe onde ninguém possa alcançar.

Sinto medo, e saudades e desejos mas finjo que estou apenas cansada.
As pessoas gostam mais quando você justifica sua péssima aparência, humor, silêncio e estagnação com cansaço. Quando você disser que está cansado, não há responsabilidade no outro pelo sofrimento.

Eles se aliviam quando você só está cansado, e não engasgado com todo o lixo que precisa prender entre o peito e a garganta.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

2 A peça deu defeito...

Sabe qual foi a última coisa que eu te falei, meu champs?
"Vaso ruim não quebra, e por essa lógica tu deves ser imortal"
E sabe, era mentira pq eu sei que os bons morrem jovens. Os bons sempre vão embora primeiro e eu sabia que tu iria. Não sei porque, mas eu sabia. Hoje a tarde falei pra uma amiga que eu sabia e agora, tô sentindo um conforto infeliz. Um conforto que até parece que pra mim "tu tanto fazia".
Tu era um tosco. Tu ria de mim. Tu me fazia chorar pq ria de mim.
Começou contigo dançando em cima de uma cadeira sem camisa, e depois estalando meus dedos do pé...(Aquela vez tu ainda não sabia quão tóxico era meu chulé...)
E os almoços no shopping, e os choppinhos no Duetto... e depois,com a intimidade os porres onde a cada dois minutos eu repetia: "Desculpa, Maikel. Me desculpa?" E finalmente, no ápice da nossa amizade, você segurando meu cabelo enquanto eu vomitava tequila. 
É engraçado que isso tenha me marcado tanto: Nós dois, no banheiro e tu dizendo "Que merda de amigo eu serei se não segurar teu cabelo para tu vomitar?"
Tu era uma merda de amigo. O pior de todos. Tu me chamava de fracassada e ria da minha vida "desamorosa" e "assexual". Tu chegava pros gatos na balada e dizia que eu tinha uma boa história de viagem pra contar, pq sabia que aquela história era uma merda e que eu não ia pegar ninguém contando aquilo.
Tu me levou pra comer um sanduíche uma vez e ficou anunciando no posto de gasolina que eu tinha que pegar ônibus para ir trabalhar, pq eu era pobre...
Pq tu gostava tanto de me humilhar? Fetiche né? Só pode... Acho que meu estilo mulher de malandro gamou em ti por causa disso...Pq tu ria de mim o tempo todo. E pq contigo, rir de mim era muito mais gostoso.
Pq contigo, não ter "TV das grande", não ter Wi Fi em casa, andar de ônibus, ter que tomar Skol  pq vodca é mais caro... Td era engraçado.

Hoje ficou meio sem graça, mas ai eu lembrei de ti falando "a VardaLoka que fez pra mim" e eu ri.
E ai, eu lembrei da última vez que tu me marcou em um constrangimento no facebook e pensei: Putz...foi mesmo a última vez. E fiquei pensando no que eu não daria pra tu postar todas as fotos medonhas do mundo, se isso fosse possível...

Vá com os anjos e em paz. Que o teu sorriso abra caminho pra muitos sorrisos que a gente ainda vai dar quando falar teu nome nas mesas de bar. 

Devagar, a gente vai esquecendo..Tu sabe como são essas coisas... Então, se não for pedir demais, me ajuda a esquecer bem devagarinho...
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