sábado, 13 de março de 2010

7 Ansiosos se dão mal.

Os ansiosos não sabem o que fazem. Ansiosos se dão mal até para escolher o que comer. Eles já chegam no buffet colocando um pedaço de cada gosto no seu prato, e quando se sentam a mesa percebem que não pegaram aquela coisinha boa que o vizinho escolheu. Ansiosos não apreciam a vitrine da lanchonete, e pedem o bom e sempre pastel de carne e ovos e quando já estão saciados vêem que ali vendiam também bolo de chocolate, o seu favorito. Ansiosos não esperam para que os cheiros sejam interpretados e distinguidos, e escolhem usar o mesmo perfume de sempre, a vida toda. Ansiosos são na verdade, bichos assustados e com medo de parar pra pensar. Pensam o tempo todo, o cérebro não desliga, mas as decisões são tomadas no impulso, ou não são tomadas nunca. Ansiosos paralizam, estagnam, erram sempre igual.
Ansiosos não sabem escolher porque não tem tempo pra isso. Preferem perder o tempo imaginando as tragédias que aconteceram se não agarrarem logo o seu pedaço de bolo, se não tragarem logo aquele cigarro, senão engolirem tudo (oiiaaaa) depressa. Os ansiosos não digerem, e quando percebem, estão a ponto de vomitar no mundo a alma rasgada, desesperada de quem não sabe esperar pra escolher.
E não escolhem sequer as palavras...
Os ansiosos que me perdoem, mas acho que sempre se dão mal.

quarta-feira, 10 de março de 2010

12 Estuda menina...estuda!

Há alguns anos atrás eu trabalhava no Bairro Primeira Linha, num horário de pessoas normais (08 às 18 horas) e estudava das 19 às 22:15. Eu já era mãe, e tinha um marido pra dar conta (bem assim, como vocês pensaram). E todos os dias pela manhã, eu pegava 3 ônibus diferentes até chegar no trabalho e como eu preciso de 10 horas de sono por dia, sempre acabava prejudicada... Tirava uns cochilinhos básicos no ônibus, mas sempre acordava antes da minha parada. Quando silêncio existisse no ônibus, era a vez de eu descer.
E numa manhã sombria de inverno (pra criar um clima...) eu estava lá, sentada com minhas meias 3/4, no banco perto do cobrador para ter certeza de que ele me acordaria, se por acaso eu passasse do ponto. Eis que o jovem resolve iniciar uma conversa com a sutil pergunta: Tu trabalha à noite?
E eu, com meu delicioso humor matutino respondi: Não, eu estudo para não ser cobrador de ônibus.

Eu sei que devia ter respondido que trabalhava a noite sim, na mesma zona que a mãe e a irmã dele, mas isso não me ocorreu na época. Lerda! Levei uns 3 anos para pensar nessa resposta.

Dai, hoje eu tive que vir de ônibus pra casa pq o carro ta estragado (de novo) e fui pro ponto. Bem acordada, só para constar. E adivinhem quem estava lá? Tcharã! O bendito cobrador. Eu bem retardada que sou já cheguei dando boa noite, ele se empolgou todo e veio puxando assunto. Respondi e peguei meu livro pensando que ele ia parar de falar se eu parecesse ocupada, só que não...ele não parou! Começou a perguntar o que eu tava lendo, e blá blá blá...
Fiquei com ódio, pq é capaz dele não se lembrar que um dia me ofendeu, mas eu..ah...eu me lembro bem daquele tom de voz, querendo dizer alguma coisa ruim.
Mas com ele, eu aprendi: Não durmo mais no ônibus.
...Mas parei de estudar. Será que chegou a hora de ser cobradora de ônibus?
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