sexta-feira, 25 de novembro de 2011

7 Pré niver

Aos 26, eu ouço: "Você não é mais a mesma!"

E se antes a frase me trazia dor, agora, a letargia doce que segue a resposta mostra que realmente eu não sou mais igual.
Eu mudei.
Sim, agora eu deixo as portas abertas: entram e saem da varanda da minha alma os que sentem vontade disso.
Não prendo mais os que amo nas pilastras da minha vida.
Eles seguem, e voltam, e vão pra nunca mais, se assim lhes convêm. Quando se vão, eu choro, mas afinal, eu choro porque é bom e bonito, e porque é feio e triste. Eu choro porque dói, ou porque me faz feliz, então, se eles se vão e eu choro, ainda não entendo bem o “por que” do choro.
Eu mudei, mas ainda gosto de escrever e receber cartas, de dançar música brega, de tomar banho de mangueira, de cantar desafinada enquanto Você toca violão. Eu ainda gosto de correr na beira do mar, em plena madrugada. Eu ainda gosto de receber SMS no celular dizendo qualquer bobagem só pra gente não se perder. E eu ainda adoro tomar vinho barato e vinho caro, e gosto de macarrão, camarão e de churrasco todo dia da semana.
Eu mudei, mas ainda me emociono com o seu jeito doce e amargo e ainda sinto pena de ter acreditado tanto em você.
Eu mudei, mas ainda acredito, muito e muito. Eu acredito nas pessoas.
Eu mudei mas ainda tenho medo de escuro e de fantasma. E as vezes, tenho medo de morrer e ninguém ir no meu enterro.
Aos 26 eu ainda sinto toda a emoção do mundo só por que estou num lugar onde céu e mar se encontram num doce beijo azul, e quero abraçar você no banco do carro e dizer: “Obrigada por existir”.
Aos 26, eu gosto de te ouvir reclamando da vida e das pessoas, e gosto de te ver falando do que conquistou e ainda quer conquistar.
Aos 26, gosto quando me beija e diz “Minha, só minha”
Só 26. Já 26.
Eu não sou mais a mesma, já não permito mais que qualquer um aponte minhas fragilidades e defeitos sem perguntar pra mim e para o acusador: “E se eu fosse diferente, sabe lá como eu seria?”
Não quero ter razão. Eu quero ser feliz. Ser leve (e magra) e quero sentir o alívio se ter dado o meu melhor, mesmo para quem não soube receber.
Já achei tão bobo amar o mundo inteiro, mas acho que é o meu dom: Tenho um copo meio cheio de beleza, inteligência e talento, mas tenho litros e litros de amor.
E quero banhar os que vêm pra minha varanda. E se eles forem embora, que se lembrem de todas as vezes que a mesa esteve posta, e a água, jorrava como uma fonte, que muda, mas nunca, nunca seca.

(Agora é a hora que vão dizer “Chegou a apaixonada pelo mundo” e olha, vou ter que retirar qualquer modéstia, porque se tem uma coisa que descobri na trilha 25/26 é que sou incapaz de não amar alguém. É idiota, mas com um dom, vem grandes responsabilidades, não é isso? Mas é meu aniversário que ta chegando, então, sejam bonzinhos nos comentários.)
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