terça-feira, 24 de agosto de 2010

3 #DiáriosdoPurgatório

Quantos são capazes de permitir que se toque a ferida profunda sem medo da expressão de dor que vão mostrar?
Quantos podem entregar pedaços de sua alma em forma tangível?
Quantos se dispõe a fazer a Catarse diante dos famintos olhos que anseiam por devorar nossos medos e fragilidades?
Maria Juliana Dacoregio expurga e expõe essas fragilidades de um modo poético e encantador em Diários do Purgatório.
Os textos curtos servem apenas para aumentar a ansiedade pelo escrito seguinte, fazendo com que a impressão de “continua na próxima semana” descrita por Fal Azevedo na apresentação do livro, se confirme a cada página.
O purgatório, visitado por todos nós, vez ou outra, é partilhado pela autora com verdadeiros poemas escritos a sangue e lágrimas nas paredes da vida.
O livro é sem dúvida triste como é estar no fundo do poço, mas traz prosas bonitas que enfeitam a dor e nos dão a certeza do recomeço, do acordar do dormir reversível que é o sono e ir pra’um lugar, onde não precisemos de armadura, óculos escuros-de-esconder-a-dor ou maquiagem. O livro trás a experiência de quem chega ao purgatório, mas não quer ir para o inferno e é capaz de refinar a dor e encontrar dentro de si mesma, respostas para os porquês de todos nós.
Tem um Prólogo incrível e à partir das páginas iniciais podemos identificar vários queimadores de diários, caminhos e lembranças.
Um livro para ler, reler e relembrar. Páginas incríveis que falam sobre ela, mas que olhando bem de perto, falam de todos nós.

Não acreditem em mim, tentando bancar crítica de livro de uma escritora que eu adoro. Leiam e tirem suas próprias conclusões: http://escravadasletras.blogspot.com/ nem que seja para falar mal e xingar muito no Twitter.

Beijo, Outro, Tchau!
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