sábado, 14 de setembro de 2013

Me afogo com minhas próprias palavras. Não falo.
Não falo porque é agressivo, ou porque é intimo, ou porque é desnecessário.
Não falo porque me condicionaram a agradar pelo silêncio. E eu quero agradar.
Não fala porque se falo, quem me ouve não escuta bem.
Minhas piadas caem mal nos ouvidos alheios.

Prendo meu corpo na cadeira. Queria dançar, voar, correr solta na grama. Mas me prendo na cadeira.
Amarro a alma e a mente na tentativa de não ir muito longe com to da essa loucura.
Prendo meu corpo na cadeira para não ir tão longe onde ninguém possa alcançar.

Sinto medo, e saudades e desejos mas finjo que estou apenas cansada.
As pessoas gostam mais quando você justifica sua péssima aparência, humor, silêncio e estagnação com cansaço. Quando você disser que está cansado, não há responsabilidade no outro pelo sofrimento.

Eles se aliviam quando você só está cansado, e não engasgado com todo o lixo que precisa prender entre o peito e a garganta.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

2 A peça deu defeito...

Sabe qual foi a última coisa que eu te falei, meu champs?
"Vaso ruim não quebra, e por essa lógica tu deves ser imortal"
E sabe, era mentira pq eu sei que os bons morrem jovens. Os bons sempre vão embora primeiro e eu sabia que tu iria. Não sei porque, mas eu sabia. Hoje a tarde falei pra uma amiga que eu sabia e agora, tô sentindo um conforto infeliz. Um conforto que até parece que pra mim "tu tanto fazia".
Tu era um tosco. Tu ria de mim. Tu me fazia chorar pq ria de mim.
Começou contigo dançando em cima de uma cadeira sem camisa, e depois estalando meus dedos do pé...(Aquela vez tu ainda não sabia quão tóxico era meu chulé...)
E os almoços no shopping, e os choppinhos no Duetto... e depois,com a intimidade os porres onde a cada dois minutos eu repetia: "Desculpa, Maikel. Me desculpa?" E finalmente, no ápice da nossa amizade, você segurando meu cabelo enquanto eu vomitava tequila. 
É engraçado que isso tenha me marcado tanto: Nós dois, no banheiro e tu dizendo "Que merda de amigo eu serei se não segurar teu cabelo para tu vomitar?"
Tu era uma merda de amigo. O pior de todos. Tu me chamava de fracassada e ria da minha vida "desamorosa" e "assexual". Tu chegava pros gatos na balada e dizia que eu tinha uma boa história de viagem pra contar, pq sabia que aquela história era uma merda e que eu não ia pegar ninguém contando aquilo.
Tu me levou pra comer um sanduíche uma vez e ficou anunciando no posto de gasolina que eu tinha que pegar ônibus para ir trabalhar, pq eu era pobre...
Pq tu gostava tanto de me humilhar? Fetiche né? Só pode... Acho que meu estilo mulher de malandro gamou em ti por causa disso...Pq tu ria de mim o tempo todo. E pq contigo, rir de mim era muito mais gostoso.
Pq contigo, não ter "TV das grande", não ter Wi Fi em casa, andar de ônibus, ter que tomar Skol  pq vodca é mais caro... Td era engraçado.

Hoje ficou meio sem graça, mas ai eu lembrei de ti falando "a VardaLoka que fez pra mim" e eu ri.
E ai, eu lembrei da última vez que tu me marcou em um constrangimento no facebook e pensei: Putz...foi mesmo a última vez. E fiquei pensando no que eu não daria pra tu postar todas as fotos medonhas do mundo, se isso fosse possível...

Vá com os anjos e em paz. Que o teu sorriso abra caminho pra muitos sorrisos que a gente ainda vai dar quando falar teu nome nas mesas de bar. 

Devagar, a gente vai esquecendo..Tu sabe como são essas coisas... Então, se não for pedir demais, me ajuda a esquecer bem devagarinho...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Estou aqui, contando pra alguém que me perguntou por você, quem você é.
E contado as coisas boas que já fizemos juntos e dos planos que você tem pra sua vida, e pensando nas coisas que ainda quero fazer junto contigo.
Deu saudade das baladas muito loucas, das risadas infinitas. Saudade de te dizer "Para o carro que eu vou vomitar".
Me lembrei de você, segurando o meu cabelo (Não de um jeito sexy, pq vc não me trata de jeito sexy, apesar de eu achar você sensualíssimo) e rindo da minha bebedeira. Lembrei de você, rindo da minha história da viagem que não deu certo. Lembrei de você, dizendo pros gatinhos na balada que eu era sua irmã.
Acho que eu gostaria de ser tua irmã. Acho que eu gostaria de estar na tua vida de qualquer forma,e quanto mais íntima for essa forma, melhor.
Deu uma vontade de te abraçar, de te entregar mais um pedaço da minha vida, para que você faça dela um pedaço feliz, como fez tantas vezes.
Obrigada pelos empréstimos. Desculpe por nunca te pagar uma cerveja cara. Desculpe por não te convidar para algumas coisas...
Me desculpe por não ter nada que efetivamente possa importar nesse momento.

Lembrei de você rindo das coisas que eu escrevo, e decidi: Você não vai ler esse texto. Pelo menos, não enquanto não estiver tomado umas geladas.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

0 Quantos partos ainda vão vir?

Deixar o aconchego do ventre materno para chegar ao mundo é um sofrimento. O estreito canal por onde o bebê se obriga a passar ao fim do ciclo, talvez nos faça pensar que morreremos.
Nasci de parto normal. Precisei ser espremida e torturada para chegar a luz do mundo. Dramática como sou obviamente pensei que morreria durante aquela passagem. Porém, no lugar da morte, após todo o sofrimento, tortura e mal estar de ser expulsa do conforto onde eu estava havia a vida de um jeito novo, o colo e a satisfação de novos desejos que só foram descobertos após o lamentar profundo da quase morte.
Talvez, seja assim que funciona minha vida: Quando o sofrimento é grande, o “buraco” apertado e eu pense que vou morrer,que não vou resistir a passagem, acabo descobrindo um novo modo de ver a vida, recebo um novo colo e os desejos que até então não conhecia, são despertos e satisfeitos. Só após o estreito e penoso processo de ser parida diante de um problema, eu descubro que existe um novo modo de enxergar as coisas.
Quando um bebê nasce e suplica pelo peito materno, após saciar seu primeiro desejo, ele dorme, está exausto.

Dormi durante algum tempo, pra reparar o cansaço dos “partos” aos quais precisei passar. E de repente eu acordo e vejo que preciso de colos, de seios que me fartem, de aconchego e afeto. Mas eu também percebo que sobrevivi e que a vida é melhor depois desse buraco.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

0 Brigamos sem brigar...

Como diria Humberto Gessinger "Brigamos sem Brigar".
E a Super amiga vira amiga,que vira colega, que vira conhecida e que em algum tempo, é completamente estranha.
Estranha do jeito que sempre foi, porém, quando perto dos meus olhos era tão fácil compreender.
Brigamos sem brigar e de algum modo, queria que fizessemos as pazes, sem precisar fazer.
Sinto falta do cheiro bom que ela deixava na minha casa, na minha roupa, nas minhas mãos. Sinto falta de quando ela me olhava e dizia "Você consegue"
Sinto falta de quando ela me dizia "Margarida, Margarida... minha flor favorita" e sinto falta das nossas canções.
Talvez, nem fosse tão bonito, mas era de verdade. Era muito de verdade.
Que saudades eu tenho, das verdades que a gente dividiu.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Vivia de migalhas. Como um roedor nojento que era a única coisa a qual conseguia se comparar.
Qualquer resto era banquete naqueles dias. Qualquer resto pra ela servia.

E quando o resto lhe era negado, ela chorava sozinha.
Pq é na solidão que ficam os seres nojentos. Encolhidos no canto, entre o que foi rejeitado.

Existe quem aprecie roedores. Mas nunca por muito tempo.

Ficaria como tudo o que não presta: apodrecendo sozinha.



domingo, 21 de abril de 2013






Escrever não é uma obrigação, é uma necessidade. Escrever é um vício. Um remédio. Escrever é um jeito de dizer para quem lê "Tome cuidado, Eu estou ai, nessas linhas e se você folhear depressa, pode perder os pedaços mais interessantes."
Escrever é perder muito da cabeça até a mão, e da mão até a caneta, e da caneta até o papel, porém, escrever é tornar palpável tudo aquilo que era só imaginação. É não querer ser entendido. É querer se entender.

sábado, 16 de março de 2013

1 Roteiro real

Dizem que eu li livros demais e acreditei demais no que aparecia nos filmes.
Sim, eu queria uma vida como aquela dos filmes, onde você pode se dar bem, se pegar uma mochila e viajar para longe.
Eu queria uma vida como a dos filmes, onde pra ser feliz, você pode ser quem você é.
E não precisa ter vergonha de abraçar, de dançar, de cantar... mesmo que seus braços enlacem os corpos errados, mesmo que dance desajeitadamente e seja muito desafinada. Nos filmes, você se ferra mas se diverte. No filme, mesmo que você dance mal e cante horrivelmente alguém vai gostar de você.
Eu queria viver como nos filmes, onde você dança e ri, e quem está ao seu redor ou te ignora ou vem na tua pilha,

Uma mochila, um carro velho, uma estrada sem fim. E todos os sonhos que só os livros e filmes podem dar a quem não pôde tocar muito mais do que os livros e filmes.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

1 Arrocha, arrocha...

Não sentia falta dos porres que não bebeu. Não sentia falta dos beijos que não provou.
Sentia falta de dançar até que os pés doessem, de dizer "Não encosta em mim, que eu tô dançando". Sentia falta era de rir sozinha no meio das pistas que nunca sequer tivera visitado.
Ela não sentia falta das coisas ruins que a "noite" poderia fazer. Sentia falta das boas e bobas.
Ela sentia falta de ser livre pra voar até o infinito.
E agora ela era. E o infinito chamava seu nome.

Não precisava cometer nenhum dos erros que todos apostavam que cometeria: ela só precisava dançar até os pés pedirem parar parar, e ai, tirar os sapatos e dançar o resto da vida.

A beleza que ela já não tinha (como tantos tinham dito e como o tempo insistia em provar) para ela, podia ser trocada pelos sons. Os sons da pista, dos sorrisos, dos passos desengonçados e do ar, faltando.

Ela estava viva. Dançando, Sozinha, bebendo água sem gás.
E era o que queria.

domingo, 27 de janeiro de 2013

2 Kisses in life...

Vou ali abraçar meus filhos. Vivos. Beijar seus rostos que sorriem. Vou ali beijar meus filhos: Sem RG sobre o peito. Meus filhos que podem atender o celular para me dar Bom dia.
Vou ali abraçar a vida que vem deles, lamentando pelos pais que já não poderão beijar os seus. Que nessa manhã de domingo, estão procurando notícias pelos pedaços de suas carnes que os deixam sem saber o que fazer.
Vou ali beijar meus filhos, e dizer para eles não ficarem muito perto do palco, observarem as saídas de incêndio, Não acharem que banheiros são seguros.
Vou ali beijar meus filhos e dizer para eles "Corram pra longe, mas segurem na mão de quem estiver perto de vocês. Salvem-se e salvem quem puder."

Vou ali abraçar meus filhos e pedir para que Deus não me permita esse parto às avessas. 
Vou pedir para Deus guardar essas mães, que nesse domingo de manhã, já nem acreditam que Ele existe.
Vou ali pedir pra Deus não me deixar experimentar a dor de ver arder o maior amor que há.

Vou beijar meus filhos. 
Vou torcer para que sempre os beije, e que o último beijo, sejam eles que me dêem.


domingo, 6 de janeiro de 2013

Envolvida numa conversa sobre sentimentos:
Não os meus. Não quero falar dos meus.
Tentando entender quem é feliz pra sempre. Tentando entender quem nunca é.
Falando de paixões efêmeras, de bares ruins, de gente mentirosa e covarde.
Falando dos sentimentos alheios, como se fossem meus.

(...)
Related Posts with Thumbnails