quinta-feira, 22 de outubro de 2009

14 O tempo me fez mal...

E não me refiro aos pés de galinha, gorduras localizadas ou as celulites na coxa.
Minha melhor amiga fez aniversário e eu não a encontrei. Na verdade, é até estranho chama-la minha melhor amiga, considerando o tempo que não nos vemos.
Na verdade, a gente se vê, mas a gente não se encontra. Tomamos café juntas, mas são aqueles papos de café, não aqueles papos de melhores amigas que a gente tem nos últimos tempos. Nos tornamos aquele tipo de amigas normais, que falam sobre coisas banais e se dão ao direito de sentir saudades.
E eu, que acho uma bobagem sentir saudade de quem mora perto, me mordo de saudades dela.
Mandei uma mensagem a meia noite, liguei as oito da manhã. Mas não tive a felicidade de beijar e abraçar aquela minha amiga tão especial.
E parece superficial mandar mensagem e falar ao telefone. Você pode fazer isso até por seus clientes! Não deve ser assim com alguém que faz parte da sua alma, da sua história.
Eu deveria ter levado ela para almoçar num restaurante charmosinho, e terminar fazendo uma ilustre apresentação de foca contente e satisfeita. Depois entregar o meu presente, escolhido com todo o amor do mundo, junto com uma carta melodramática que mais parece uma carta de suicída. Eu devia ter convidado minha amiga para um vinho, e ficar bebendo o gelo da caipira estalando e fazendo ela sentir vergonha.
Eu devia ter dado mais um beijo e feito um coraçãozinho com as mãos quando desci do carro dela.
Mas agora eu sou gente grande, não tenho tempo pra essas coisas.
Ano que vem, quem sabe eu ache.
Eu odeio não ter perto, ela, elas e todos aqueles que me são importantes e especiais.
Ah, se eu pudesse ter doze anos, e ir pra escola de ônibus, sentar na grama durante o recreio e dividir Pipocas Beija Flor enquanto faço tranças em cabelos longos e lisos.
Se eu tivesse doze anos, eu não iria perder meu tempo tendo um amor. Viveria apenas para ter um milhão de bons amigos. Ou dois.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

7 Magia!

Eu nunca fui uma boa apreciadora de artes. Nos tempos de escola, gostava mesmo era de português. Os livros sempre foram o que eu chamava de obra prima. Não os riscos de Picasso, ou a bagunça toda de Van Gogh. Obra prima era letra organizada.
Nesse fim de semana, portanto, fui relembrada de uma arte que sempre me comoveu: a circense.
Ir ao circo com a desculpa de levar as crianças foi algo tão gostoso e eu ali, com cara de "oi? eu tenho doze anos".
A apresentação do Circo Italiano não foi lá essas coisas. Faltou o mágico que para mim é a melhor parte do circo, os palhaços eram fraquinhos, mas sentada ali, na primeira fileira, com um algodão doce na mão e a mão do filho na outra, eu vibrava com as luzes no picadeiro.
Talvez as pessoas não entendam o porque de eu ainda me emocionar com um espetáculo tão manjado como o circo, mas no fundo, é a minha falta de habilidade com o corpo, com as expressões faciais e em fazer rir que me faz babar sentada na arquibancada.
Com algodão doce, maçã do amor e risadas infantis por todo o lado.
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