domingo, 22 de julho de 2012

Você foi pra balada. Dançou, sorriu, se divertiu. Se sentiu linda, foi desejada, cantada, cortejada. Foi dona de si mesma, como desejou ser a vida toda. Bebeu o porre que merecia, e voltou pra casa. Incólume. Com o cabelo impecavelmente arrumado, e com o zíper devidamente fechado.
Você volta pra casa e é ali que a verdade vai chegando devagar.
Ali, a luz fria já não te faz tão bonita. O espelho do quarto reflete o corpo nu e as marcas que a roupa escolhida a dedo escondia. Os sapatos deixados no tapete da sala, representam uma liberdade sonhada. O alívio de pôr os pés no chão. O alívio de pôr os pés onde você bem entende.
Você olha pro rosto maquiado, e tem pena de tirar essa beleza criada artificialmente. Tem medo da água gelada batendo na pele que arde. Um banho pra tirar o "cheiro de night", uma coberta quentinha pra não parecer tão desprotegida...E ai, você deita, tonta, cabeça latejando: de fome, de medo, de desejo, de embriaguez.
E tem vontade de voltar pra balada e ficar lá todos os dias, pra sempre, porque lá a luz e a fumaça confundem quem está ao seu redor, mas ainda mais que isso: a luz e a fumaça confundem tanto, que você até pensa que é feliz.


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