sábado, 16 de janeiro de 2010

8 Um tempo pro ócio

Eu nunca digo "não" para as pessoas. Não recuso convite pra festa, velório, choppinho, almocinho, café. Eu sempre estou ali, ou lá. Menos quando para estar ali eu precise não estar lá. Eu nunca uso o argumento de que "trabalho demais", "meus filhos me deixam exausta", "meu marido não gosta que eu saia sozinha". Eu nunca argumento; eu só vou.
E de repente, eu simplesmente não posso ir a lugar nenhum. Amarrada na cama ou na cadeira do PC (e isso não faz parte de nenhum joguinho sexual) e curtindo o tempo que eu tenho para não fazer nada.
Eu posso rir e chorar com os livros e filmes que eu quiser, e posso dormir depois do almoço e se alguém me convida pra fazer alguma coisa, eu digo não sem culpa e com desculpa.
To curtindo o ócio sem culpa, mas com medo. Se eu quero, eu faço. Senão quero, não faço. Simples assim.
Durmo o tanto que preciso, e se eu acordo cedo, ponho um DVD pra dormir assistindo. Quando acordo tarde, almoço e escolho um livro pra ler e durmo de novo.
Assisto sessão da tarde e novela. Descubro novas funções do meu celular. Converso com amigos no msn. Twito todas as bobagens que tenho vontade. E tenho tempo.
Eu tô abusada de não ver gente interessante, de não ter nada pra postar no blog, mas tô aproveitando esse tempo com cara de doente para repor energia e aprender que se eu não for trabalhar, ninguém morre e que se eu não for pra uma festa, ainda assim ela vai acontecer.
Bem na verdade não gosto disso. Prefiro pensar que se eu não estiver o mundo não tem graça e minha chefe não ganha dinheiro. Prefiro pensar que meus filhos também tem saudades de mim, e que meu marido tá super estressado com a dupla jornada. Eu prefiro pensar que eu não tenho tempo para o ócio, mesmo quando tenho.
Eu prefiro pensar que faço falta e não quero ter tempo para descobrir que não.
Agora eu vou assistir um filme mulherzinha, porque tento tempo.
Que medo!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

9 Homem da minha vida

Há muito tempo eu quero falar dele aqui. Mas eu não sei falar dele sem chorar. Hoje, eu resolvi chorar e escrever; porque ontem ele me tocou tentando ser romântico. Ele originalmente não é, e quando tenta sê-lo é engraçado. E lindo.

Ele chegou antes que eu soubesse o que é amor. E me amou como nenhum outro homem tinha amado antes.
Venceu preconceitos e barreiras para estar comigo, e um dia, decidiu conquistar a minha mãe para que pudesse estar sempre.
Eu o escolhi. Poucas meninas tem o prazer de escolher seu pai. E tive.
Era amigo de uma tia. E eu, a pobre garota filha de um vagabundo. Minha mãe, solteira. Há 24 anos atrás isso era palavrão.
Ele, filho de uma família conservadora, um garoto que frequentava o Brasília e bebia até o juízo. Um guri, que vovó sonhava casar-se com uma do lar, virgem.
Magro, alto e com sérios indícios de que ficaria careca, não era bem o tipo da minha mãe.
Minha mãe preferia os bon vivant, os músicos e filósofos, os artistas. Não os garotos pé no chão, que tinham perdido o romantismo ao longo da dureza da vida.
Eu não. Eu preferia aquele moço que quando ia na casa da minha vó, me enchia de vida, de luz e de carinho.
Gostava de andar no tanque da moto, com os cabelinhos loiros encaracolados presos num rabo de cavalo que ele mesmo fazia, e gostava de mexer na barba dele, sempre por fazer.
Ele gostava de mim, e acho que era o que eu mais precisava aos 8 meses de vida. Até hoje acho que o que eu mais preciso. Alguém que goste de mim.
O tempo passou e minha mãe esqueceu os seus poetas. Enterrou-os junto com as minhas lembranças pré estabelecidas de homem, e começou a ver nos olhos verdes o mesmo brilho que eu já tinha encontrado no primeiro contato. E veio a chance.
E o garoto com calça boca de sino agarrou-a. E foi o homem que ela escolheu.
E eu me agarrei em suas pernas e disse: "O pai ta de papato novo? Eu também e a mãe também ó!"
E ele a levou pro altar. E me levou nos braços. E me abraçou pra vida. Inteira.
Ele não é um poeta, não é um artista, não é um filósofo. Ele é meu pai. O homem que dançou comigo a Valsa nos meus quinze anos, o homem que me levou pro altar. Ele é o homem que ainda com muitos cabelos, mesmo que estejam brancos é chamado de vô, e que atende com a mesma cara de bobo que fazia quando eu andava no tanque da sua moto.
Ele é o homem da minha vida. O primeiro e eterno homem da minha vida.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

10 Repetitiva,é eu sei...

Juro que tô tentando pensar em alguma coisa para escrever. Sabe, sobre sentimentos e filmes, ou livros. Mas minha cabeça não pensa em mais nada. Nadinha. Só consigo pensar nas mudanças que estão acontecendo no meu corpo. (Oi, eu tenho doze anos e tá nascendo pêlos na minha perereca). Gente, eu nunca senti tanta dor na minha vida, só no coração (oin, fofuxinha!!!). Pedi para o cirurgião me deixar igualzinha a Barbie, mas ele deve ter entendido que era uma boneca e me fez ficar a noiva de Chucky, Taquepariu. Nem quando o meu marido me espanca eu fico tão roxa. Nem quando eu fico 5 dias sem ir no banheiro minha barriga doi tanto, nem quando eu estava grávida de 11 meses do Nicolas Gabriel fiquei tão inchada.
Hoje fui ao médico para retirar o Tobby. O Tobby me era super útil, mas preciso confessar que ter que carregar uma coisa cheia de banha pra todo lado não é nada confortável. O médico me deu dez com estrelinhas, parabenizou meu super marido que levanta 896 vezes por noite pra me levar no banheiro, cozinha pra mim e ainda fez uma super cama para eu não ter trombose. E eu vim embora feliz, e sem o Tobby.
Eu sei, que um dia, algum dia (superexagerada que é daqui 10 dias) eu vou ficar bonita (de novo???). Esses roxos vão sumir, eu vou desinchar e a minha barriga vai ser o que nunca foi. Um tanquinho. Minha primeira providência será comprar uma microminisaia e uma blusa decotada,curta na barriga e rosa pink.
E eu prometo que esse é o último post dedicado a minha barriga nova sem fotos. No próximo já terei assinado meu contrato com a Vip e estarei fazendo propaganda da edição mais vendida de todos os tempos da Revista. E é claro, anunciando pra vcs o dia da minha entrevista com o Jô.

Ah, e o médico não tinha mal de parkinson não Graziela e inclusive me fez entender que aulas de geometria servem para alguma coisa. Ele super mede a barriga antes de cortar. Ele faz plástica em muitas "veiz" Lu e os filhos super justificam nossas barrigas fora de lugar. Eu também tenho dois(e só dois, pq agora eu tenho certeza que DAQUI não sai mais nenhum. Ta Costurado também); e as fotos nuas que o médico tirou Chicuta só vão ser vistas por mulheres gordinhas. As que eu vou tirar na Vip se comprar a revista tu pode ver. =P Mas nada de voltar a ter doze anos com ela! ora, bolas!

Beijos lipoaspirados!
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