sábado, 19 de junho de 2010

6 Se alguém me dissesse quem eu sou, eu gostaria de saber?


Eu tenho aquela coisa toda que achava que eu não ia ter mais quando crescesse.
Achava que quando virasse gente grande, ia aprender a falar baixo, não gesticular tanto, limpar meus ouvidos direito e não ia mais ter chulé, mas eu cresci e ainda há tanta coisa que é igual.
Os medos são os mesmos dos meus doze anos. As distrações, os erros, as piadas sem graça não mudaram. O que eu serei então, daqui mais doze?
E se eu continuo igual, porque esperar que a vida seja diferente?
São tantas perguntas, tantas coisas que eu não sei e espero saber um dia.
E se eu nunca souber, o que importa?
Minha mãe será que sabe? Será que alguém sabe?

Como ela não sabia a resposta para nenhuma das suas perguntas, tanto fazia a ordem que lhes dava.

E as perguntas não vão ser respondidas, porque meus pais são crianças como eu, são crianças como você, e eu ainda não sei o que vou ser quando crescer.
E o que é que eu sou, senão uma criança num corpo grande demais? E quem eu sou e o quem eu quero ser? E se alguém me dissesse quem eu sou, eu gostaria de saber?

Como ela não sabia a resposta para nenhuma das suas perguntas, tanto fazia a ordem que lhes dava.


E assim, eu vou chorando, vivendo, esperando, aprendendo. E se um dia eu crescer, o que será que eu vou ser?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

2 Considerações matinais sobre amizade:

Amizade é alma que encosta. Sem medo de entregar os delírios, os desatinos, as fragilidades,os filmes, os livros.
Amizade é chorar junto, mesmo que não aja motivo algum, porque é como comer ou abrir a boca: inevitável.
Amizade é segurar bem perto e se preocupar. É lamentar não estar lá, naquela hora, para fazer o que precisava ser feito, ou para simplesmente dizer: "eu te avisei".
É aquele amor bonito, que te faz querer ser você, sem medo do que o outro vai pensar.

E eu me descubro amiga de universos distintos, e ao mesmo tempo iguaizinhos a mim.
E descobrir uma amizade, com alguém que te faz ser você, mas te transforma em melhor a cada dia, é lindo, é poema escrito a quatro mãos.
Eu digo que é plano de Deus e você pode até achar que é só coincidência, e eu já não me importo com o que isso realmente é. Me importo com o que você é: minha amiga!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

6 Coisas que não tem par...


Mudar de casa me assusta. Tanta coisa pra arrumar, tantos brincos sem pares para serem colocados fora, sendo que ainda tem o brilho lindo das pedrinhas. Queria guardá-los, mesmo que inúteis, pois ainda tem o brilho que um dia me conquistaram.
Mudar já não me assusta mais, mas mudar de casa, ah, como me assusta: as caixas guardam coisas que eu também guardo em mim: São os bilhetes, as cartas, as flores secas sem perfume. As caixas guardam livros, bijuterias, Cd's, Dvd's...As caixas guardam o que um dia eu vou perder. Porque eu sempre penso no dia que eu não vou mais existir, e todas essas coisas tão importantes pra mim, deixaram de existir, porque o que elas têm não é valor para ninguém, a não ser pra mim, pras minhas lembranças acalentadas pelo fechar da fita que guarda em caixas, coisas que são pedaços de mim.

E quando eu não existir mais, quem vai apreciar a rosa guardada no álbum de fotografias? Para eles, será uma rosa esquecida, e pra mim, será a eterna lembrança de dias para os quais não posso voltar.
Quando eu não mais existir... quem vai se importar com os brincos que não tem par?
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