Achava que quando virasse gente grande, ia aprender a falar baixo, não gesticular tanto, limpar meus ouvidos direito e não ia mais ter chulé, mas eu cresci e ainda há tanta coisa que é igual.
Os medos são os mesmos dos meus doze anos. As distrações, os erros, as piadas sem graça não mudaram. O que eu serei então, daqui mais doze?
E se eu continuo igual, porque esperar que a vida seja diferente?
São tantas perguntas, tantas coisas que eu não sei e espero saber um dia.
E se eu nunca souber, o que importa?
Minha mãe será que sabe? Será que alguém sabe?
Como ela não sabia a resposta para nenhuma das suas perguntas, tanto fazia a ordem que lhes dava.
E as perguntas não vão ser respondidas, porque meus pais são crianças como eu, são crianças como você, e eu ainda não sei o que vou ser quando crescer.
E o que é que eu sou, senão uma criança num corpo grande demais? E quem eu sou e o quem eu quero ser? E se alguém me dissesse quem eu sou, eu gostaria de saber?
Como ela não sabia a resposta para nenhuma das suas perguntas, tanto fazia a ordem que lhes dava.
E assim, eu vou chorando, vivendo, esperando, aprendendo. E se um dia eu crescer, o que será que eu vou ser?









