quinta-feira, 30 de maio de 2013

0 Quantos partos ainda vão vir?

Deixar o aconchego do ventre materno para chegar ao mundo é um sofrimento. O estreito canal por onde o bebê se obriga a passar ao fim do ciclo, talvez nos faça pensar que morreremos.
Nasci de parto normal. Precisei ser espremida e torturada para chegar a luz do mundo. Dramática como sou obviamente pensei que morreria durante aquela passagem. Porém, no lugar da morte, após todo o sofrimento, tortura e mal estar de ser expulsa do conforto onde eu estava havia a vida de um jeito novo, o colo e a satisfação de novos desejos que só foram descobertos após o lamentar profundo da quase morte.
Talvez, seja assim que funciona minha vida: Quando o sofrimento é grande, o “buraco” apertado e eu pense que vou morrer,que não vou resistir a passagem, acabo descobrindo um novo modo de ver a vida, recebo um novo colo e os desejos que até então não conhecia, são despertos e satisfeitos. Só após o estreito e penoso processo de ser parida diante de um problema, eu descubro que existe um novo modo de enxergar as coisas.
Quando um bebê nasce e suplica pelo peito materno, após saciar seu primeiro desejo, ele dorme, está exausto.

Dormi durante algum tempo, pra reparar o cansaço dos “partos” aos quais precisei passar. E de repente eu acordo e vejo que preciso de colos, de seios que me fartem, de aconchego e afeto. Mas eu também percebo que sobrevivi e que a vida é melhor depois desse buraco.
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