sábado, 5 de junho de 2010

8 Porque eu não devo tirar férias.

"(...)Quando as férias produzem uma perturbação não esperada na cabeça do cavalo. Aqueles campos verdes sem cercas começam a mexer lá no fundo da sua alma, justo no lugar onde estava enterrado o cavalo selvagem que ele fora um dia, antes do cabresto, do arreio e da castração. E aí um milagre acontece: o cavalo selvagem morto ressuscita, se apossa do corpo do cavalo doméstico que vira outro, e até reaprende as esquecidas artes de relinchar, de empinar, de saltar cercas, de disparar a galope pela pura alegria de correr, imaginando-se um ser alado, Pégaso, voando pelas pastagens azuis do céu e pulando sobre as nuvens… É tão bom… E, de repente, deitado sob uma árvore, ele se lembra de que está chegando a hora de voltar… Mas ele não quer voltar. Quer ficar. Surgem então, na sua cabeça, perguntas que nunca fizera: “Por que é que eu volto sempre? Será mesmo preciso voltar? Estou condenado ao cabresto, arreio e castração? É isso que é a vida? Por que voltar se não quero? Volto porque é preciso? Mas será preciso mesmo? Minha vida não pode ser diferente?”

Essas idéias malucas só acontecem quando o cavalo está só com os seus pensamentos."
Rubem Alves - Se eu pudesse viver minha vida novamente

Como foi que eu não pensei nisso antes?
Quantas vezes, estando de férias não quis voltar. Não quis colocar novamente os cabrestos, não quis estar dentro das cercas. Todos acham que o problema é entrar em férias, eu digo que o problema são os arreios. As cercas limitam os passos de quem quer chegar as nuvens, os arreios dizem para que lado seguir, sem que se possa olhar com clareza. E nas nuvens, não podem chegar os cavalos que tiveram as asas podadas. As perguntas começam timidas: "O que você quer?/Quem é você?" e depois, vão crescendo, dominando e fazendo barulhos infernais, que não permitem acreditar que a água e o capim, sempre dispostos são o suficiente.
O problema não são as férias, são os arreios, o cabresto, a castração.
Não culpem as férias, não culpem os patrões. Aprendam a tirar os cabrestos, ou a amá-los, pela simples incapacidade de buscar o céu, por não terem a insanidade de quem busca a Passárgada.

P.S: E não venham sugerir pulações de cerca, porque o post é de cotista mas é limpinho.



terça-feira, 1 de junho de 2010

9 Só acontece comigo...

O banho é um dos momentos mais deliciosos do dia. Até aí, nenhuma novidade. Qualquer pessoa limpinha curte chegar em casa e se entregar ao prazer da água quente escorrendo pelo corpo. A diferença no meu ritual "banhistico" é que gosto de me equilibrar em cima de um pé, com o outro em cima desse, fazendo uma mini cachoeirinha (tipo um Daniel San aquático,saca? Mas sem erguer tanto a perna, senão vira Kamasutra) e ADORO escovar os dentes no chuveiro.
Dai, hoje eu entrei no banho e esqueci de preparar a minha escova. Pedi pro filho mais velho colocar creme dental nela pra mim e ele gentilmente me entregou a escova com a solução pastosa.
Quando coloquei na boca, achei o gosto meio... estranho.
-Rafa, que creme dental é esse?
-Era um Bozzano que tinha aqui no armário mãe.
"Cuspes desesperados"
- Porra, escovei o dente com creme de barbear, DE NOVO?

Em menos de um ano, duas vezes. Maldita semelhança.

6 Fusca Azul 77

Eu vou contar minha vida dura pra vocês, mas eu vou contar, para que vocês tenham pena, porque senão me resta uma vida nobre, que reste pelo menos a nobreza dos sentimentos alheios. (Tá, eu sei que é pedir demais porque vocês não tem Jesus no coração...)
Eu era uma garotinha trabalhadora. Meu salário servia para pagar minhas contas e me dar uma vida decente. Meu marido, um jovem senhor, cumpria suas obrigações de pai de família e me dava todo o seu salário para que eu gastasse com livros e chocolates. Viviamos uma vida fudida e feliz, mas até aquele momento, aquele fatídico momento, nunca tinham acontecido coisas assim.
Um dia, um espirito empreendedor que me acompanha desde o meu batismo na casa de mãe de santo disse: "Monte um negócio, Deise". Sim, eu podia ter entendido direito e ter montado um Lego com o meu filho, mas bem olho junto que sou, já fui achando que era para montar um negócio (Não,não esse tipo de negócio seus tarados!), eu entendi que era para montar uma empresa.
Larguei tudo, coloquei minhas coisas num saco e amarrei num cabo de vassoura (visualizem o Chaves nessa parte) e parti para a classe patronal.
Lembro-me bem da empolgação daqueles dias. A mudança, a organização da nova casa, o primeiro cliente que EU atendi. Meu marido pedindo demissão para se transformar num empresário...Orgullho alheio de nós mesmos a nível de nós próprios. Eram dias felizes e de muito sexo. Porque quanto mais feliz estamos, mais sexo fizemos. E quanto mais sexo fizemos, mais felizes ficávamos... Coisa rica de Deus!
Mas o tempo foi passando, a realidade foi chegando, e a vida feliz de empresário se transformou num inferninho.
Chega o quinto dia do mês, o desgraçado do funcionário já ta reclamando o salário, a imobiliaria ta ligando para saber do aluguel, a Brasil Telecom quer fuder com a minha internet, a Cermoful quer mais que eu tome no CHUVEIRO GELADO, e ai, como é que ficam os meus livros? E o chocolatinho nosso de cada dia? E o IPVA do meu carrinho?
Porra, assim não pode, assim não dá.
Onde é que foram parar aqueles sonhos juvenis? (Um toque lirico para o inferno)
E mais importante que isso: Onde foi parar o meu carro que a polícia levou, porque o documento atrasou?
Isso não é vida cara. Isso não é vida.
As coisas agora estão assim: Eu ando de ônibus depois do trabalho e vou para o trabalho com um fusca azul 77.
Corrigindo ditados: "Diga-me com o que andas e lhe direi quem és!" Se você anda com um Fusca 77, você é um infeliz fudido. Tenho dito.

Se eu puder lhe dar um conselho sobre a vida, apenas um conselho: NÃO PARE NA BLITZ! NÃO PARE! Fuja logo para as colinas.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

0 Melhor ficar aqui...



“Quem sou eu então? Primeiro me digam isso, e depois, se eu gostar de ser essa pessoa vou subir. Se eu não gostar, vou ficar aqui embaixo até ser outra pessoa...”

Eu não poderia ter escrito antes de Carroll, mas se eu tivesse tido tempo, escreveria!

domingo, 30 de maio de 2010

2 Mês movimentado para os internautas Criciumenses

Em junho, os Nerds de Criciúma estão com a agenda lotada. O mundo virtual ficará desfalcado nas seguintes datas por motivo de força maior: (Dorgas, mano!)

04/06 - Quinta-feira/ NobLadies- Somente as girls estão convidadas para tomar uns drinks no Chapelão, às oito da noite. O evento se dará no feriado, para que @larissamanique, @isazanette e @caca_brunel , @'s frequentes no #madrugadãocriciuma mas que estão longe da cidade possam se fazer presentes.

19/06 - Sábado/ LuluzainhaCamp- Outro evento para mulherzinhas. Esse acontece em vários estados do país e receberá as garotas da região Sul, em TubaCity. O evento está sendo muito bem organizado pela @maitelemos, e com certeza será um grande sucesso. Eu já fiz a minha inscrição e espero que a mulherada se empolgue, porque as gargalhadas reais são muito melhores que "hauhauahuaua" "hehehehe" e "rsrsrsrs". Dia 19/06 eu quero folga viu, chefa?

25/06 - Sexta/ #NobCriciuma5 - Finalmente uma chance para os garotos. Segundo fui informada pela @priscilaadv essa edição estará ainda melhor que a anterior. Se o #NobCriciúma4 já foi um sucesso, nesse neguinho não vai nem lembrar como foi que chegou em casa... Para maiores informações é só seguirem as @'s certas e acompanhar as informações pelos blogs, já que é um evento que sacode mesmo os twitteiros e blogueiros da cidade. Quem não for vai chorar que eu sei.

2 Sonhos

Não tenho conseguido lembrar dos meus sonhos. Na verdade, acho que devaneio tanto quando acordada que acabo misturando tudo e não consigo distinguir que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, mas eu lembrei do que sonhei essa noite.
Sonhei que ganhava um livro com uma capa linda (parecia a capa do Atlantis, que eu nunca consegui ler, mas é uma PUTA capa!) e com uma dedicatória de três páginas. Nunca vi livros terem dedicatória tão longas, mas creio que a pessoa que me deu o presente tinha muito pra me falar.
Acordei chorando diante de tanto carinho, emocionada especialmente com a última frase "Até breve..." porque quem me deu esse presente, muito provavelmente não vai me ver nunca mais, quem dirá em breve.
Foi bonito. E triste.
Mas eu ando achando tudo que é triste bonito.
E agora eu lhes pergunto, telespectadores, como Freud explica isso?
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