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domingo, 4 de outubro de 2009

4 O mundo é bão, Sebastião?

Quando eu tinha doze anos descobri: Eu não sou desse lugar!

Decidi me dedicar a vida cristã, queria ser freira. (Sim, eu sei que seria um desperdício de energia sexual e de peitos pra fora, mas a ideia era me proteger de tudo de ruim que eu sabia que aconteceria). Lembro bem que o que eu pensava era: Eu não posso sobreviver no meio de tanta gente ruim.
Não que me julgue melhor do que você, nobre leitor! Mas eu não compreendia (compreendo) como as pessoas podem ser tão ruins, falsas e inoportunas. Sou uma Poliana Retardada que acredita que pessoas podem ser transformadas, e que toda essa dor e angustia que estou sentindo não passa de fruto de uma imaginação que não descansa. Mas bem na verdade, hoje eu tô na merda! #prontofalei!
Quando eu tinha doze anos, decidi que seria freira, mas algo mudou minha vontade (Não, não foi masturbação!) Eu descobri que sim, poderiam existir pessoas bonitas, boas e com a mesma vontade de mudar o mundo que eu tinha. Decidi que dedicar meus sentimentos aos meus amigos, e aos seres bons que me rodeiam pudesse ser melhor do que viver sem sexo liberdade. E foi nisso que eu me transformei: Numa Poliana retardada que fica esperando o melhor e só se ferra.
Andando tão na linha que o trem ta quase atropelando, dedicando o que tenho de melhor e mais bonito aos escolhidos, abdicando de desejos, de sonhos e de projetos para ser exatamente o que os outros esperam que eu seja (E não, não uma freira, uma santa, uma diva...apenas uma mulherzinha sem cérebro) Tendo que fazer coisas chatas, aturar gente chata, e viver de modo morno esperando que tudo vá passar.
Mas mesmo sendo uma Poliana Retardada, no fundo eu sei. Não vai!
Ai eu choro, esbravejo e ainda tenho que ouvir que sou uma pessoa ruim. Não, eu não sou alguém ruim. Não sou perfeita, talvez não seja boa o suficiente, mas eu não sou uma pessoa ruim.
Talvez eu me transforme... Naquelas coisas todas que todo mundo é: egoísta, malvada e impetuosa. Talvez eu me esqueça que o Amor supera tudo, Talvez eu seja exatamente como querem que eu seja. Uma retardada, gorda, mal amada e mal humorada.
Talvez eu durma e esqueça tudo isso.
Talvez eu nunca esqueça.
E o que eu mais gosto da dor, é que me deixa com vontade de mudar o mundo. Como eu queria fazer, desde os doze anos.
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