Estava sentada sobre as mãos, como sempre fazia quando estava cansada demais para fazer outra coisa, ou triste demais para levantar e encarar o mundo, ou desencorajada demais pra dizer algo.
Sentada sobre as mãos se sentia presa, como estava naquela situação há tanto tempo que nem lembrava mais.
Não gostava de pensar que tinha perdido seu tempo, afinal via a vida como oportunidades singulares e não ficava parada. Penteava os cabelos vendo TV, tomava banho ouvindo música e escovava os dentes lendo. Não admitia que os minutos se esvaíssem sem ter aproveitado dele os sessenta segundos.
Sonhava acordada, mas seus sonhos estavam em poucas cores, com uma luz amarela. Amarelo como o seu sorriso sarcástico, ou não.
E ali, em cima das mãos já dormentes, como estava a sua mente, esperava que algum milagre a libertasse de todo o medo que ecoava no silêncio da sala fria.
Já tinha perdido tempo demais, porém era inevitável perder mais três minutos tentando organizar a bagunça que estava na sua cabeça.
Mordeu os lábios e sorriu lembrando de momentos que tinham significado alguma coisa. Cerrou os olhos tentando não pensar no milhão de besteiras e loucuras que fez por esses momentos.
As cartas e os presentes estavam todos ali, guardados em um lugar escondido, mas suas lembranças por mais que tentasse esconde-las apareciam na mente com uma freqüência inexplicável. Lustrava as lembranças todos os dias, para que nenhum detalhe se perdesse. Queria preservar cada ruído para não ter necessidade de buscar mais.
Levantou, e escreveu. Guardou o bilhete onde guardava todos os outros. Lembranças que não deviam ser conhecidas. Memórias que não mereciam ser guardadas.
Ela desprendeu as mãos. Mas a alma ainda estava acorrentada.
E aquela luz amarela, disfarçava o seu sorriso quase honesto.
Ela chorou baixinho e jurou que seria a última vez.
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
4 O mundo é bão, Sebastião?
Quando eu tinha doze anos descobri: Eu não sou desse lugar!
Decidi me dedicar a vida cristã, queria ser freira. (Sim, eu sei que seria um desperdício de energia sexual e de peitos pra fora, mas a ideia era me proteger de tudo de ruim que eu sabia que aconteceria). Lembro bem que o que eu pensava era: Eu não posso sobreviver no meio de tanta gente ruim.
Não que me julgue melhor do que você, nobre leitor! Mas eu não compreendia (compreendo) como as pessoas podem ser tão ruins, falsas e inoportunas. Sou uma Poliana Retardada que acredita que pessoas podem ser transformadas, e que toda essa dor e angustia que estou sentindo não passa de fruto de uma imaginação que não descansa. Mas bem na verdade, hoje eu tô na merda! #prontofalei!
Quando eu tinha doze anos, decidi que seria freira, mas algo mudou minha vontade (Não, não foi masturbação!) Eu descobri que sim, poderiam existir pessoas bonitas, boas e com a mesma vontade de mudar o mundo que eu tinha. Decidi que dedicar meus sentimentos aos meus amigos, e aos seres bons que me rodeiam pudesse ser melhor do que viver sem sexo liberdade. E foi nisso que eu me transformei: Numa Poliana retardada que fica esperando o melhor e só se ferra.
Andando tão na linha que o trem ta quase atropelando, dedicando o que tenho de melhor e mais bonito aos escolhidos, abdicando de desejos, de sonhos e de projetos para ser exatamente o que os outros esperam que eu seja (E não, não uma freira, uma santa, uma diva...apenas uma mulherzinha sem cérebro) Tendo que fazer coisas chatas, aturar gente chata, e viver de modo morno esperando que tudo vá passar.
Mas mesmo sendo uma Poliana Retardada, no fundo eu sei. Não vai!
Ai eu choro, esbravejo e ainda tenho que ouvir que sou uma pessoa ruim. Não, eu não sou alguém ruim. Não sou perfeita, talvez não seja boa o suficiente, mas eu não sou uma pessoa ruim.
Talvez eu me transforme... Naquelas coisas todas que todo mundo é: egoísta, malvada e impetuosa. Talvez eu me esqueça que o Amor supera tudo, Talvez eu seja exatamente como querem que eu seja. Uma retardada, gorda, mal amada e mal humorada.
Talvez eu durma e esqueça tudo isso.
Talvez eu nunca esqueça.
E o que eu mais gosto da dor, é que me deixa com vontade de mudar o mundo. Como eu queria fazer, desde os doze anos.
Decidi me dedicar a vida cristã, queria ser freira. (Sim, eu sei que seria um desperdício de energia sexual e de peitos pra fora, mas a ideia era me proteger de tudo de ruim que eu sabia que aconteceria). Lembro bem que o que eu pensava era: Eu não posso sobreviver no meio de tanta gente ruim.
Não que me julgue melhor do que você, nobre leitor! Mas eu não compreendia (compreendo) como as pessoas podem ser tão ruins, falsas e inoportunas. Sou uma Poliana Retardada que acredita que pessoas podem ser transformadas, e que toda essa dor e angustia que estou sentindo não passa de fruto de uma imaginação que não descansa. Mas bem na verdade, hoje eu tô na merda! #prontofalei!
Quando eu tinha doze anos, decidi que seria freira, mas algo mudou minha vontade (Não, não foi masturbação!) Eu descobri que sim, poderiam existir pessoas bonitas, boas e com a mesma vontade de mudar o mundo que eu tinha. Decidi que dedicar meus sentimentos aos meus amigos, e aos seres bons que me rodeiam pudesse ser melhor do que viver sem sexo liberdade. E foi nisso que eu me transformei: Numa Poliana retardada que fica esperando o melhor e só se ferra.
Andando tão na linha que o trem ta quase atropelando, dedicando o que tenho de melhor e mais bonito aos escolhidos, abdicando de desejos, de sonhos e de projetos para ser exatamente o que os outros esperam que eu seja (E não, não uma freira, uma santa, uma diva...apenas uma mulherzinha sem cérebro) Tendo que fazer coisas chatas, aturar gente chata, e viver de modo morno esperando que tudo vá passar.
Mas mesmo sendo uma Poliana Retardada, no fundo eu sei. Não vai!
Ai eu choro, esbravejo e ainda tenho que ouvir que sou uma pessoa ruim. Não, eu não sou alguém ruim. Não sou perfeita, talvez não seja boa o suficiente, mas eu não sou uma pessoa ruim.
Talvez eu me transforme... Naquelas coisas todas que todo mundo é: egoísta, malvada e impetuosa. Talvez eu me esqueça que o Amor supera tudo, Talvez eu seja exatamente como querem que eu seja. Uma retardada, gorda, mal amada e mal humorada.
Talvez eu durma e esqueça tudo isso.
Talvez eu nunca esqueça.
E o que eu mais gosto da dor, é que me deixa com vontade de mudar o mundo. Como eu queria fazer, desde os doze anos.
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