quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

7 Um só sorriso amarelo

Estava sentada sobre as mãos, como sempre fazia quando estava cansada demais para fazer outra coisa, ou triste demais para levantar e encarar o mundo, ou desencorajada demais pra dizer algo.
Sentada sobre as mãos se sentia presa, como estava naquela situação há tanto tempo que nem lembrava mais.
Não gostava de pensar que tinha perdido seu tempo, afinal via a vida como oportunidades singulares e não ficava parada. Penteava os cabelos vendo TV, tomava banho ouvindo música e escovava os dentes lendo. Não admitia que os minutos se esvaíssem sem ter aproveitado dele os sessenta segundos.
Sonhava acordada, mas seus sonhos estavam em poucas cores, com uma luz amarela. Amarelo como o seu sorriso sarcástico, ou não.
E ali, em cima das mãos já dormentes, como estava a sua mente, esperava que algum milagre a libertasse de todo o medo que ecoava no silêncio da sala fria.
Já tinha perdido tempo demais, porém era inevitável perder mais três minutos tentando organizar a bagunça que estava na sua cabeça.
Mordeu os lábios e sorriu lembrando de momentos que tinham significado alguma coisa. Cerrou os olhos tentando não pensar no milhão de besteiras e loucuras que fez por esses momentos.
As cartas e os presentes estavam todos ali, guardados em um lugar escondido, mas suas lembranças por mais que tentasse esconde-las apareciam na mente com uma freqüência inexplicável. Lustrava as lembranças todos os dias, para que nenhum detalhe se perdesse. Queria preservar cada ruído para não ter necessidade de buscar mais.
Levantou, e escreveu. Guardou o bilhete onde guardava todos os outros. Lembranças que não deviam ser conhecidas. Memórias que não mereciam ser guardadas.
Ela desprendeu as mãos. Mas a alma ainda estava acorrentada.
E aquela luz amarela, disfarçava o seu sorriso quase honesto.
Ela chorou baixinho e jurou que seria a última vez.

7 comentários:

Silvia disse...

Pra que perder o nosso tempo pensando em alguém que não tá nem aí pra gente? Que não perde o tempo dele pensando na gente também?
Sei lá, isso me deixa mais triste, porém mais leve pra encarar a vida lá fora.

Ficou bonito o texto, hein!

Sempre querendo saber disse...

É,eu tbm fiz isso.
E quero que seja a útltima meeeeeeeeesmo.
Lindo texto(como sempre)
Adoro isso aqui!!!!!!!

graziela disse...

que sede de viver, hein!

lindo, como tantos outros que vi agui.

Sempre querendo saber disse...

Sinceramente?Eu queria "Tirar a roupa e ficar com o mesmo par"
Mas n é possível,n do jeito q eu quero,q eu preciso.
Mas ta bom,eu supero.Eu me supero.

Anônimo disse...

Minha querida, Dê!
Simplesmente BELO...como vc disse que eu iria gostar...DE FATO!
Porque tudo que escreve é um parte de você, de sua alma tecida em palavras..impossível não amar isso!

Em tempo:
"...Queria preservar cada ruído para não ter necessidade de buscar mais.
Levantou, e escreveu. Guardou o bilhete onde guardava todos os outros. Lembranças que não deviam ser conhecidas. Memórias que não mereciam ser guardadas.
Ela desprendeu as mãos. Mas a alma ainda estava acorrentada.
E aquela luz amarela, disfarçava o seu sorriso quase honesto.
Ela chorou baixinho e jurou que seria a última vez."

Bjocas da galega para minha querida, Dê!

p.s. Eu sou super divertida, mas esse "mau humor" do blog remete mais a minha veia crítica do que chatisse, propriamente dita. E sim, eu sou extremamente, desastrada!
Inté!

Hanny Meire disse...

Ai, que saudades do seu cantinho... poxa, que coisa boa ter um tempinho pra vir aqui e ler todos os posts seus que eu perdi !

Viajei nesse post... por que tu não escreve um livro de contos ? Seria perfeito !

BEIJOCAS, LINDA !

Unknown disse...

Não vou elogiar demais pq esse lance de ego é meio perigoso e vc já anda convencida demais hahaha
Mas...amiga....como vc está escrevendo bem!
Beijos :***

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Oi? Você vem sempre aqui?

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