segunda-feira, 7 de junho de 2010

3 Em profunda desordem...

Ela estava desesperadamente cansada. Cansada da casa bagunçada, do armário sempre em desordem e da alma fora do lugar.
Na verdade, eram coisas que aconteciam seguindo certa ordem, ou não.
Ela estava cansada de gente que não sabia coisa nenhuma, e que pensava que sabia de tudo. Estava exausta de gente que sabia de tudo, e fingia que não sabia de nada.
Ela não estava contente em ser espectadora, mas não tomava providência alguma para ser protagonista.
Ela estava tão cansada que não tinha forças para desafiar o que quer que fosse, mesmo que isso significasse enfrentar seus próprios medos e anseios.
Ela fechava a cara e brigava com o mundo. E depois voltava, se aninhava no peito quente e derramava suas lágrimas mornas. Gostava era dessa certeza, de que podia chorar até que os olhos doessem sem parecer coitada ou doentia.
Ela gostava daquele peito quente. Dos seus cabelos espalhados pelo peito.
Ela gostava de saber que estava dentro daquele peito.
Ela queria pôr o peito dela em ordem, e encontrá-lo lá. Onde na verdade, sempre soube, nunca deixaria de estar.
Ela precisava de uns dias, num canto. Cantando sozinha, dançando sozinha, chorando sozinha.
Mas no meio daquela bagunça, ninguém percebeu. Ou todos fingiram, de novo.

3 comentários:

Filipe disse...

Belo texto, poesia ou poema (não sei diferenciar e estou com preguiça de pesquisar).

Digna de uma publicação numa prova de literatura (fudida) para interpretação de texto. E a primeira pergunta seria

1 - Como entender uma mulher?

PutzCri disse...

Seu Putz gosta de vinho tinto. De cabernet sauvignon espalhado pela boca.
Seu Putz gosta de saber que há vinho no copo.
Ele queria pôr o vinho em ordem, e encontrá-lo lá, gelado. Onde na verdade, sempre soube, deveria de estar. Mas não estava. A garrafa caiu, quebrou, o vinho se espalhou e ficou a foto no enigmático post deisiano...
Ó vida, ó poesia, ó mundo cruel com pétalas de hortelã e sabor encorpado adistringente...

PutzCri disse...

"Eu me acho confusa, mas as teorias putzgracianas me fazem parecer tão normal."

Sabemos, claro, que a Deise queria nos elogiar. Mas magoou por dentro. Já reservamos quarto no Rio Maina. Estamos abaixo de Haldol.

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