Deixar o aconchego do ventre materno para chegar ao mundo é
um sofrimento. O estreito canal por onde o bebê se obriga a passar ao fim do
ciclo, talvez nos faça pensar que morreremos.
Nasci de parto normal. Precisei ser espremida e torturada
para chegar a luz do mundo. Dramática como sou obviamente pensei que morreria
durante aquela passagem. Porém, no lugar da morte, após todo o sofrimento, tortura
e mal estar de ser expulsa do conforto onde eu estava havia a vida de um jeito
novo, o colo e a satisfação de novos desejos que só foram descobertos após o lamentar
profundo da quase morte.
Talvez, seja assim que funciona minha vida: Quando o sofrimento
é grande, o “buraco” apertado e eu pense que vou morrer,que não vou resistir a
passagem, acabo descobrindo um novo modo de ver a vida, recebo um novo colo e
os desejos que até então não conhecia, são despertos e satisfeitos. Só após o estreito
e penoso processo de ser parida diante de um problema, eu descubro que existe
um novo modo de enxergar as coisas.
Quando um bebê nasce e suplica pelo peito materno, após
saciar seu primeiro desejo, ele dorme, está exausto.
Dormi durante algum tempo, pra reparar o cansaço dos “partos”
aos quais precisei passar. E de repente eu acordo e vejo que preciso de colos,
de seios que me fartem, de aconchego e afeto. Mas eu também percebo que
sobrevivi e que a vida é melhor depois desse buraco.









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