sexta-feira, 11 de maio de 2012

1 "Que gritem"

Olho para os últimos atos sem arrependimentos. Não há corpos guardados em armários, nem arranhões profundos na minha própria carne.
Há lascas, copos quebrados, paredes pinchadas com palavrões, mas quando não existirão?
A Sensação é de dever cumprido. Havia algo para ser feito, e eu o fiz. Havia uma rota, uma rota de colisão. Sim, quebramos os copos, mas os joelhos estão sãos.
Fechei portas, mas mantive a varanda sempre aberta. E quem não mais vier sentar-se a sombra da minha varanda, e não mais beber em meus copos trincados de vidro barato, é porque não quis.
Eu amei. Do jeito que só os tolos amam. Eu tentei, do jeito que só os insanos tentam. Insisti em coisas que há muito eram fracasso para permitir que sorrissem mais um pouco. E pouco a pouco, percebi que o sorriso alheio era lágrima em mim.
Pois então, que riam agora. Que seus ruídos já não chegam em meus ouvidos.




terça-feira, 24 de abril de 2012

Sofro pelo que não vejo. Pelo que imagino.
Sofro não pelo que me dizem, mas pelas coisas que imagino que falam na minha ausência.
Sofro. Sofro porque a minha imaginação pode ser muito pior que os fatos.
Sofro por querer ser querida, por querer ser importante, por querer que me olhem e vejam o que eu sou.
Eu sofro porque sou burra mesmo.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Você quer fingir que é só tédio e saco cheio, mas na verdade está é enojado.
Tem nojo do próprio cheiro, de seus próprios toques, de seus próprios pensamentos. E tem nojo de não conseguir controlar-se, de não conseguir fingir.
Gostaria de fingir que é apenas tédio, mas não é mais "apenas tudo isso".
É ABUSO, É NOJO, É HORROR Dessa vidinha medíocre, dessa gente medíocre, e desse bando de "Eu's" que querem me obrigar a ser quando o único Eu que possuo é um que anda descalço na lage soprando bolinhas de sabão e é despreocupado com o que acontecerá quando acabar o detergente.
Falando em detergente, aonde eu posso me lavar?

quinta-feira, 29 de março de 2012

1 De que tamanho eu quero ser?

Me incomoda pensar que sou do tamanho dos meus atos.
E me ver pequena... minuscula. Pronta para ser esmagada!
Me incomoda quando eu quero alcançar o infinito e voar, e me auto trapaceio beijando o chão.
Mas eu sei parar de ser tudo o que querem, e ser exatamente quem eu sou. Mesmo que nem saiba direito...
E não procurar agradar, nem me explicar, nem permitir que me apontem os dedos enormes e me digam: Faça isso, Faça aquilo.
E é o que vou fazer agora. Esquecer que estava sendo pequena como os atos. AUMENTAR, AUMENTAR, AUMENTAR. E ser finalmente, do tamanho dos meus sonhos.

"Normalmente ela se dava bons conselhos (embora raramente os seguisse) e às vezes repreendia-se tão severamente que chegava a ficar com lágrimas nos olhos(...)"



quarta-feira, 21 de março de 2012

0 E nesses dias tão estranhos...

Culpo você. Para aliviar a minha própria culpa.
Desculpo-me pelo que nem é culpa minha.
Sofro pelo nada e que para mim é tanta coisa.
Deixo a força sair de mim. Enalteço quem não merece. Dou méritos para quem não precisa.
Culpo. Desculpo-me. Choro.
Enlouqueço. Rasgo roupas, quebro copos, grito e componho, e escrevo. Risco a pele.
Faço marcas secretas para não gerar comoção.
E pra você eu mostro as palavras que tento esconder até de mim. E peço o que não terei. E canto canções bobas, e danço mesmo que não me olhes, e mesmo que não me acompanhes.
Eu choro, e enlouqueço, e grito e me maltrato.
E eu sei que você não tem nada com isso.

(Achei que era paixão, mas era só TPM)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ela se lembrou e sorriu deliciosamente. Maliciosamente.
E agradeceu a Deus por ter memória.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Chega de fincar os pés no chão, baixar os olhos e dançar a música dos outros.
Que me falte o ar, que eu tenha medo, que me quebrem as pernas e joguem meu corpo numa quebrada: mas deixe-me voar, caminhar, cair..
Estou realmente exigente e superior: aceito o que me faz bem. (pelos motivos que eu considerar que fazem)
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