sábado, 6 de março de 2010

8 Decisões

Uma amiga querida foi até o meu trabalho essa semana e eu a vi de um modo que nunca tinha visto. Pela primeira vez, depois de anos, ela me pareceu madura e decidida para ser alguma coisa na vida: mãe.
Ela está grávida de um ano e dez meses mais ou menos, e está só esperando seu projeto decidir nascer, e naquela ansiedade louca, naqueles momentos onde só as mães Não são felizes. Ela não aguenta esperar para ver o rostinho, ver as perninhas dentro dos tip tops, e o cabelinho enfeitado com lacinhos. Ah, se ela soubesse...
Quando um filho chega a pessoa que você era não existe mais. Existe uma outra, muito mais exigente. Existe uma mulher que não é mais capaz de pensar nela mesma, e que até quando é egoísta é irritante. O egoísmo materno é achar que seu filho é mais bonito, mais inteligente, mais gut gut. Quando nasce uma mãe, nasce uma mulher que sempre vai pensar em dobro no que vai fazer, e isso inclui comprar laranjas no supermercado para diminuir o consumo de refrigerante, e se preocupar sim, com aquecimento global, consumismo exacerbado...
Com a maternidade eu descobri que posso ser extremamente infeliz e frustrada e ainda assim me sentir satisfeita e realizada. É um tipo de plenitude esquisita, sempre antagônica, sempre confusa.
Eu tento pensar em mim, mas automaticamente os priorizo. É lindo, mas é ridiculo. Irracional.
Existem momentos onde o óbvio não é tão óbvio assim nas lentes de uma mãe: o que você precisa é ser instintiva, e não racional. Você precisa dar aos seus filhos a certeza de que estará com eles, de que fará o que os farão felizes e que nada no mundo impedirá que as coisas sejam como devem ser.
Com a maternidade eu não sou o que um dia eu fui... Eu sou alguém que deveria ser melhor, mas não necessariamente o sou.
Com a maternidade eu sou estranha, mas eu não decidi que seria estranha, eu só decidi que seria mãe.
Com a maternidade, quando eu estou negra por dentro, preciso estar luminosa por fora. Eu não tento ser heroína, mas não posso ser uma fracassada.
Se eu tenho medo disso? O tempo todo!

8 comentários:

PutzGraça!!! disse...

Mon dieu! Que coisa complicada. Deprê total, só de ler.

Clarisse disse...

'Ela está grávida de um ano e dez meses mais ou menos'.

Adorei essa. (e eu achando que nascer de 10 meses era estranho. porque, sim, eu nasci de dez meses. taí a causa do meu retardo mental.)

Beeijo!

Dai disse...

Isso sim e uma descriçao realista do que é ser mae...
O resto do que ouço todos os dias é utopia infundada.Adorei a sua dissertaçao sobre o fenomeno doentio do maternalismo.
Nao sou mae, mas ja ando pensando em tudo isso..e acho que, exagerada como sou, posso ser tudo isso EM DOBRO...

Agora, nao entendi muito bem essa gravidez tao longa..Ja fiquei gravida de 1 ano, mas era um projeto e nao um humanozinho.

Beijinhos...Otimo sabado pra vc

Luciana disse...

Falei dia desses com o pai do meu filho sobre isso.Sobre o medo de errar,sobre a responsabilidade que é criar e educar um filho que daqui a pouco vai andar com as próprias pernas.
Nem gosto de pensar nisso,pq fico me analizando(e consequentemente mais louca do que sou hahahaha)

Wendy disse...

dá medo mesmo.
mas ele some: quando eles sorriem...
né não??

bjus Mulher Gata!

Carla disse...

Lindona... Eu simplesmente amo tudo que tu escreve. E cada vez mais acho que fomos separadas na maternidade. Eu só não consigo me expressar desta forma, com palavras. É bem assim que acontece. Bjo.

Bill Falcão disse...

Creio que todas as mães têm esse medo!
Bjooo!!

silxata disse...

O mais próximo que eu cheguei de ser mãe é criar um beagle e ser extremamente, over, apaixonada por ele!

E tenho um amor incondicional por meus sobrinhos...todas essas coisinhas irracionais de quem ama!

Bjocas!

Lindo texto!

Inté!

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