terça-feira, 1 de junho de 2010

6 Fusca Azul 77

Eu vou contar minha vida dura pra vocês, mas eu vou contar, para que vocês tenham pena, porque senão me resta uma vida nobre, que reste pelo menos a nobreza dos sentimentos alheios. (Tá, eu sei que é pedir demais porque vocês não tem Jesus no coração...)
Eu era uma garotinha trabalhadora. Meu salário servia para pagar minhas contas e me dar uma vida decente. Meu marido, um jovem senhor, cumpria suas obrigações de pai de família e me dava todo o seu salário para que eu gastasse com livros e chocolates. Viviamos uma vida fudida e feliz, mas até aquele momento, aquele fatídico momento, nunca tinham acontecido coisas assim.
Um dia, um espirito empreendedor que me acompanha desde o meu batismo na casa de mãe de santo disse: "Monte um negócio, Deise". Sim, eu podia ter entendido direito e ter montado um Lego com o meu filho, mas bem olho junto que sou, já fui achando que era para montar um negócio (Não,não esse tipo de negócio seus tarados!), eu entendi que era para montar uma empresa.
Larguei tudo, coloquei minhas coisas num saco e amarrei num cabo de vassoura (visualizem o Chaves nessa parte) e parti para a classe patronal.
Lembro-me bem da empolgação daqueles dias. A mudança, a organização da nova casa, o primeiro cliente que EU atendi. Meu marido pedindo demissão para se transformar num empresário...Orgullho alheio de nós mesmos a nível de nós próprios. Eram dias felizes e de muito sexo. Porque quanto mais feliz estamos, mais sexo fizemos. E quanto mais sexo fizemos, mais felizes ficávamos... Coisa rica de Deus!
Mas o tempo foi passando, a realidade foi chegando, e a vida feliz de empresário se transformou num inferninho.
Chega o quinto dia do mês, o desgraçado do funcionário já ta reclamando o salário, a imobiliaria ta ligando para saber do aluguel, a Brasil Telecom quer fuder com a minha internet, a Cermoful quer mais que eu tome no CHUVEIRO GELADO, e ai, como é que ficam os meus livros? E o chocolatinho nosso de cada dia? E o IPVA do meu carrinho?
Porra, assim não pode, assim não dá.
Onde é que foram parar aqueles sonhos juvenis? (Um toque lirico para o inferno)
E mais importante que isso: Onde foi parar o meu carro que a polícia levou, porque o documento atrasou?
Isso não é vida cara. Isso não é vida.
As coisas agora estão assim: Eu ando de ônibus depois do trabalho e vou para o trabalho com um fusca azul 77.
Corrigindo ditados: "Diga-me com o que andas e lhe direi quem és!" Se você anda com um Fusca 77, você é um infeliz fudido. Tenho dito.

Se eu puder lhe dar um conselho sobre a vida, apenas um conselho: NÃO PARE NA BLITZ! NÃO PARE! Fuja logo para as colinas.

6 comentários:

Unknown disse...

A policia tem uma mania feia,atirar em quem não para na Blitz.

Caminhante disse...

Ri muito. Montar lego teria sido mais fácil mesmo!

Anônimo disse...

Sua vida deve estar uma bela boxta.. mas.. que deu um post sensacional, ah, isso deu!! (deu no sentido de ter ficado legal, seus tarados!!)
hauhauhauhahua


melhoras pra vidinha, Mulher Maravilha!
=D

Clarisse disse...

hm, com esse post, minhas espectativas para o futuro estão muito melhores - ironia. Nunca andei num Fusca 77 não. Apesar de também ser uma pessoa fudida, nunca andei #cry

Enfim, tava sentindo falta de mim, é? Que lindo *-*

Beeijo !

Filipe disse...

Ri MUITO também. Menos mal que não é numa Brasília amarela pra ter que ouvir engraçadinhos cantando a música do Mamonas.

Anônimo disse...

Tu é a Deise de Canoas, aquela corretora gostosa que tem a bunda mais linda que já ví na minha vida? Hum que tesão de mulher!

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