terça-feira, 28 de junho de 2016

2 Dar nome as coisas

Faz uns meses eu encontrei um conhecido no ônibus.

Ele nunca bebeu comigo. Ele não conhece meus amigos. Ele jamais encontrou com meu ex.
Ele não sabe nada da minha vida.

Mas foi ele que pela primeira vez revelou a verdade.

Na terapia, eu já tinha entendido que se alguém diz que você não vale nada e deveria morrer, não é amor, mas, foi um quase estranho que falou pela primeira vez em relacionamento abusivo.


Nós estávamos falando de trabalho, afinal, era isso que nós temos em comum e ele falou da sua credibilidade no meu potencial, e eu, descrente, baixei os olhos e agradeci.
Porque aprendi que tenho que agradecer se alguém confia no óbvio: eu posso fazer algo direito. TODO MUNDO PODE!
Ele, percebendo o meu desconcerto mencionou que já tinha sido avisado por um amigo que eu não acreditava muito em mim, por que eu vinha de um relacionamento abusivo.

Engoli em seco. Não chorei.
Queria chorar. Mas não chorei.

Tô chorando agora ao lembrar de como é fácil confundir medo com amor.
Tô chorando agora com pena de ter acreditado que eu era mesmo tudo o que diziam que eu era.
Tô chorando por tantas vezes ter sido o que queriam que eu fosse.

Uma coitada, resignada, acuada.
Olhos baixos agradecendo o amor que recebia.

Afinal, era o amor que eu achava merecer.

E não era amor... era cilada.

2 comentários:

Caminhante disse...

Ô, flor! Sinal de que pra todo mundo era muito óbvio, né? Assim como a tua capacidade. No fim das contas, é ela quem vai prevalecer. Beijo e fica bem ;)

No Divã disse...

É, já pensei que fosse e também era cilada.
Aprendi a lição.

Seu blog continua lindo.
Bjos e sucesso.

http://neuzamiranda.blogspot.com.br/

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