terça-feira, 14 de setembro de 2010

4 Pequeno Príncipe

     Há algum tempo, escrevi pra ele e guardei. Guardei porque esperava o momento oportuno. Talvez, agora seja...

Enquanto arrasta sua coberta de pelo pela casa, os meus pelos arrepiam de paixão.
Ora me apaixono por seu sorriso com covinhas e o queixo desenhado, cortado e furado propositalmente para eu não resistir.Ora são suas tiradas oportunas e engraçadas que me fazem refletir: Como passa depressa!
Passam depressa os anos e eu aqui. Vendo-os crescer sem poder me intrometer. Vontade de gritar: Fique parado tempo maldito! Deixe eu me deitar no chão e cheirar também o cobertor de pelo! Fique parado! Me deixe olhar esses olhos de amêndoa até adormecer.
Eu grito com ele, já que o tempo é fortaleza surda. Grito para que não suba, não corra,não grite, não coloque os dedos nas tomadas. Grito para que ele lave a boca, Coma o que está no prato, não incomode seu irmão, não me deixe enlouquecida.
Como se eu já não estivesse enlouquecida, desde o dia que te segurei pela primeira vez, naquele cobertor de pelos curtos...

sábado, 11 de setembro de 2010

5 Pura unçã...

A @cleycianne que me desculpe, mas conheci alguém muito mais ungida, muito mais Diva do Senhor que ela.
Eis que o Pequeno Príncipe está internado há mais de uma semana, estou convivendo com pessoas estranhas (sub mundo num país sub desenvolvido, define) e ouvindo muita coisa que jamais imaginei ouvir na história desse país. Tipo "flalda,ploblema,esmorragia,parmito"..
A internação do meu filho serviu para me reforçar a importância da escola na vida das pessoas.
Ta, então a bonitnha aqui, sentadinha na poltrona "irreclinável" cedida pelo SUS, tem que escutar o papo de duas garotas do Senhor.
Irmã número 1: Eu já tentei me afastar da Igreja, mas é tão difícil. O mundo não me pertence mais. Deus sem nós é Deus, nós sem Deus somos nada. (Criatividade, a gente vê por aqui!)
Irmã número 2: É verdade, eu já até pensei em sair dos caminhos de Deus, mas o mundo não me pertence mais.
Irmã1: E as tentações do mundo são grandes...
Irmã2: Nem me fale guria. O Diabo já me atentou demais, tu nem imagina. Já cheguei até a cortar meu cabelo e pintar a minha cara.

E eu passo a ter quase certeza que beber, fumar maconha, dançar o Rebolation e enfim, vcs sabem, não tem nada haver com queimar no fogo do inferno.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

3 #DiáriosdoPurgatório

Quantos são capazes de permitir que se toque a ferida profunda sem medo da expressão de dor que vão mostrar?
Quantos podem entregar pedaços de sua alma em forma tangível?
Quantos se dispõe a fazer a Catarse diante dos famintos olhos que anseiam por devorar nossos medos e fragilidades?
Maria Juliana Dacoregio expurga e expõe essas fragilidades de um modo poético e encantador em Diários do Purgatório.
Os textos curtos servem apenas para aumentar a ansiedade pelo escrito seguinte, fazendo com que a impressão de “continua na próxima semana” descrita por Fal Azevedo na apresentação do livro, se confirme a cada página.
O purgatório, visitado por todos nós, vez ou outra, é partilhado pela autora com verdadeiros poemas escritos a sangue e lágrimas nas paredes da vida.
O livro é sem dúvida triste como é estar no fundo do poço, mas traz prosas bonitas que enfeitam a dor e nos dão a certeza do recomeço, do acordar do dormir reversível que é o sono e ir pra’um lugar, onde não precisemos de armadura, óculos escuros-de-esconder-a-dor ou maquiagem. O livro trás a experiência de quem chega ao purgatório, mas não quer ir para o inferno e é capaz de refinar a dor e encontrar dentro de si mesma, respostas para os porquês de todos nós.
Tem um Prólogo incrível e à partir das páginas iniciais podemos identificar vários queimadores de diários, caminhos e lembranças.
Um livro para ler, reler e relembrar. Páginas incríveis que falam sobre ela, mas que olhando bem de perto, falam de todos nós.

Não acreditem em mim, tentando bancar crítica de livro de uma escritora que eu adoro. Leiam e tirem suas próprias conclusões: http://escravadasletras.blogspot.com/ nem que seja para falar mal e xingar muito no Twitter.

Beijo, Outro, Tchau!

sábado, 21 de agosto de 2010

3 Um lugar para que eu amanheça.

Morar numa casa de paredes alaranjadas, é viver amanhecendo. Quando Adélia Prado me ensinou isso, minha casa não era da cor do sol.
Mudei-me para uma casa com paredes laranjas e amarelas e é realmente como se amanhecesse o tempo todo.
Eu acordo e reinvento, e recomeço e começo, e brilho, e choro, e sorrio.
As paredes que não são da cor do sol, sãoi verdes. E de que cor pintamos a esperança de quem acredita no recomeçar?
Paredes amarelas, laranjas e verdes, para que eu viva de amanhecer.
Uma varanda pra sentar e ver a lua com seus raios (ou não). Eu sempre quis um lugar onde eu pudesse amanhecer diversas vezes durante o dia.
Se eu soubesse, teria pintado as paredes de laranja e amarelo há muito tempo atrás!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

6 Vida, louca vidaaaa!

Eu imagino que a maioria dos meus (três) leitores está com saudades de me ver reclamar da vida. Sim, eu ando muito emo, falando muitas coisas fofinhas e não ando contando os meus desastres no maior estilo Big Blog Brasil. Não pensem que é porque a boca anda boa não, povo. Continuo sendo uma fudida, mal paga, lutando contra a balança e atrás do sapato perfeito que custe menos que cinquenta real.
Eu continuo fazendo faxina no domingo, sendo que o que eu realmente queria era me jogar com força numa piscina de água termal, tomando Lambrusco e fazendo massagem com cremes com cheiro de frutas. Eu continuo me ferrando na vida e me divertindo porque nasci pra desgraça, só pode.
Ainda procuro um emprego onde eu ganhe R$ 1.500,00, comece como gerente e use o msn o dia inteiro. Eu ainda quero dizer que eu como de tudo e não engordo. Eu ainda não achei um jeito de dominar o mundo. E nem a mim mesma.

Hoje eu tô bem chata E Com muita saudade disso aqui =S

sábado, 7 de agosto de 2010

2 Chovendo no molhado, sem medo


Já falei tantas vezes que Ele é o melhor do mundo. Hoje eu só queria lembrar. Leiam, porque eu escrevo para que vocês leiam, mas escrevo ainda mais para nunca esquecer, dessas ondas de amor, que eu sinto agora. Que eu sinto desde o dia que ele começou a ser pra mim, o que muitos têm desde que nasceram.

Queria abraçá-lo e com todo o amor que sinto fazê-lo entender que há coisas que não precisam ser entendidas, apenas sentidas. E que portanto, você não precisa entender porque eu sou desse jeito, apenas precisa respeitar essas coisas que eu sinto e que eu sou.
Eu queria dizer que posso não ser o que você sonhou, mas eu sou o melhor que eu posso. E que se isso é pouco, é porque eu sou mesmo pequena e incapaz, mas uma garotinha incapaz cheia de vontades de acertar.
Queria que não se envergonhasse. Não tivesse pena. Não sentisse raiva de mim.
Queria que me colocasse no tanque da tua moto e me levasse pra passear. Queria que dançasse comigo aquelas músicas toscas do Leandro e Leonardo que a gente dançava nos sábados à tarde.Queria ficar colada de novo com super bonder na beirada da tua cama, só pra te ouvir dizendo que nunca mais ia me tirar dali, e que eu teria que andar com o lençol pendurado. Queria que me levasse para fazer exames de sangue, só pra na volta me dar um Chocoleite e um pastel de carne e ovos...Queria caber de novo nos caminhões de madeira que tu fazia pro mano.
Ai Pai, eu queria fazer 15 anos de novo, e dançar contigo uma valsa desajeitada. E te dar a primeira fatia de bolo. Eu queria que penteasse os meus cabelos para eu ir para a escola como tu fazias num passado que pra mim nunca passou.
Eu queria ser pra sempre a tua garotinha. A que tu enfeitava com óculos grandes e colocava no sofá para bater fotos.
Ai, como eu queria, me encolher no teu colo e chorar porque tô com vontade, por mais que tu digas que ninguém chora por nada.
Pai, eu choro por nada! Eu choro porque é bonito. E agora, eu tô chorando pensando que nunca vou te mostrar esse texto. Que talvez, tu nunca vá ler nada do que eu escrevo com orgulho.
Eu choro. Choro porque talvez o que eu tenho de bonito e bom seja pouco, perto de tudo de bonito e bom que tu representa pra mim.
Eu agradeço, eu me desculpo, eu peço por ti, e pedirei, sempre e pra sempre, por que sempre serei: A garotinha do pai.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

6 E se eu for mesmo a melhor?

Você não pode saber que é bom. Na verdade, tem que fingir que não sabe.
Se faz entenderem o quanto você sabe que é, é arrogante, se finge não saber é acomodado.
Olha, não é nada fácil ser gente!

Preciso mesmo me lembrar que sou boa. Preciso mesmo ser arrogante porque não cabe mais em mim essa vida acomodada.

E quem viver, vai ver! Rá!
Related Posts with Thumbnails