quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

9 Homem da minha vida

Há muito tempo eu quero falar dele aqui. Mas eu não sei falar dele sem chorar. Hoje, eu resolvi chorar e escrever; porque ontem ele me tocou tentando ser romântico. Ele originalmente não é, e quando tenta sê-lo é engraçado. E lindo.

Ele chegou antes que eu soubesse o que é amor. E me amou como nenhum outro homem tinha amado antes.
Venceu preconceitos e barreiras para estar comigo, e um dia, decidiu conquistar a minha mãe para que pudesse estar sempre.
Eu o escolhi. Poucas meninas tem o prazer de escolher seu pai. E tive.
Era amigo de uma tia. E eu, a pobre garota filha de um vagabundo. Minha mãe, solteira. Há 24 anos atrás isso era palavrão.
Ele, filho de uma família conservadora, um garoto que frequentava o Brasília e bebia até o juízo. Um guri, que vovó sonhava casar-se com uma do lar, virgem.
Magro, alto e com sérios indícios de que ficaria careca, não era bem o tipo da minha mãe.
Minha mãe preferia os bon vivant, os músicos e filósofos, os artistas. Não os garotos pé no chão, que tinham perdido o romantismo ao longo da dureza da vida.
Eu não. Eu preferia aquele moço que quando ia na casa da minha vó, me enchia de vida, de luz e de carinho.
Gostava de andar no tanque da moto, com os cabelinhos loiros encaracolados presos num rabo de cavalo que ele mesmo fazia, e gostava de mexer na barba dele, sempre por fazer.
Ele gostava de mim, e acho que era o que eu mais precisava aos 8 meses de vida. Até hoje acho que o que eu mais preciso. Alguém que goste de mim.
O tempo passou e minha mãe esqueceu os seus poetas. Enterrou-os junto com as minhas lembranças pré estabelecidas de homem, e começou a ver nos olhos verdes o mesmo brilho que eu já tinha encontrado no primeiro contato. E veio a chance.
E o garoto com calça boca de sino agarrou-a. E foi o homem que ela escolheu.
E eu me agarrei em suas pernas e disse: "O pai ta de papato novo? Eu também e a mãe também ó!"
E ele a levou pro altar. E me levou nos braços. E me abraçou pra vida. Inteira.
Ele não é um poeta, não é um artista, não é um filósofo. Ele é meu pai. O homem que dançou comigo a Valsa nos meus quinze anos, o homem que me levou pro altar. Ele é o homem que ainda com muitos cabelos, mesmo que estejam brancos é chamado de vô, e que atende com a mesma cara de bobo que fazia quando eu andava no tanque da sua moto.
Ele é o homem da minha vida. O primeiro e eterno homem da minha vida.

9 comentários:

Juliana Pereira disse...

Esse eh meu tio!!! Q trouxe esse presente pra familia.. E especialmente pra mim.. Minha prima. Minha irma.. Irmas de Almas.. Que me escolheu pra ser madrinha do seu primeiro filho.. E o engraçado que quem nao sabe que nao corre o mesmo sangue em nossas veias.. Jura de pé junto que somos parecidas em td.. E ainda fazem o comentario.. "Isso eh de familia".. hehe
Amo.. Os dois.. Muito!! E sinto saudades eternass..

Luciana disse...

Deise,so tem um problema...é grande,e nesse quisito é bom,é perfeito kkkkkkkkk
Ué,algo de bom tinha que ter né?
kkkkkkkkkkkkkk
Obrigada pelos elogios,eu sou e ultimamente ando mais confusa ainda.Acredita q depois daquilo ainda fiquei c ele?
É q qnd chega a hora eu viro uma retardada daquelas beeeeeeeem burronas mesmo e deixo so o meu corpo falar(e ele pega fogo)

Merda!!!!!!!!!!!

Luciana disse...

Aí que lindo Deise...
É tão lindo esse amor!

Luciana disse...

Ow,so mais uma coisa:
Como vc faz pra colocar aqueles atalhos tipo o do início do seu texto?

Kellen Rodrigues disse...

Que texto lindo!!! Deu até uma vontade de chorar... Aplausos pra vc!

Mostra pra ele...

Luciana disse...

E esse peitão aí hein!
Gostei!!!

graziela disse...

Que lindo!

E.Suruba disse...

Escreveu com sentimento
ficou lindo

Anônimo disse...

Dê, mais uma vez fiquei emocionada com suas palavras...são forte e sinceras. O amor não precisa de alegorias...

Saudades...Dê!

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