Terça-feira, 11 de outubro, eu me banho, me perfumo e vou dar um abraço nazamyga. Especialmente em uma que tava fazendo aniversário.
Bebo uns lance, fico toda animadinha, gravo um tutorial de "como ir ao banheiro da balada sem a amiga" e estou me sentindo feliz. Leve. Contente.
Um elevador me separando da tortura.
Chego na porta e "Cara, cadê meu carro?"
Roubaram. Levaram pra grupo. Zefini. Perdeu Prayboy.
Nem choro. Tinha certeza que na quarta-feira ele ia ta meio malacabado na Mina4.
Mas me fudi. Ainda mais.
Depois da noite inteira rodando com um amigo (que cagava bola verde quando a gente tava nas boca braba, mas tava ali) vou pra casa certa de que não vou encontrar o meu carrinho.
Não choro.
Não antes de me ligarem dizendo que os documentos do meu marido foram encontrados em Xangrilááá (lá, longe assim mesmo) e dai, perceber que eu tava definitivamente Roubada.
Choro, uivo de dor como uma parturiente. Grito de ódio.
Recebo ligações. Recebo sms.
De gente doce, dizendo clichês calmantes que não me acalmavam em nada.
De gente engraçada, dizendo que o ladrão ia ter cancer no pau.
De gente generosa, oferecendo um carro emprestado até que um dia eu possa comprar outro.
Recebo afeto, de gente de verdade.
De gente que me faz lembrar que eu não sou nada sem aqueles que eu tanto esforço para conquistar.
Pessoalzinho dos Rt's, dos mencions, das sms, dos telefonemas, Vcs são Do Caralho!
E como boa aproveitadora que sou, me deram um limão, eu pedi pros amigos trazerem caninha51 e o açucar e vou fazer uma caipirinha baluda!
Algumas pessoas DOCARALHO! (Banda Oito, Banda UmseteUns e o Dj Ademir Andrade) se colocaram a minha disposição pra gente fazer um som, e sabe o que a gente vai fazer? UM SOM!
Dia 13/11, vamos todos beber pra comemorar que meu carro voltou, Comemorar que eu só tenho amigo foda e comemorar que ah...sei lá gente, vai ter cerveja. Vamu tudo!
E para acabar com doçura "Não preciso de Heróis, Tenho meus amigos quando a vida dói."
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
2 Meia boca, meia-lua, Toda tarde, a vida inteira
Minhas bobagens (não tão bobas assim) não merecem ser divididas. Guardo meus sofrimentos em uma pequena caixa no alto de um armário. Vez ou outra, recolho as novas bobagens e dores, misturo às antigas e somo saudades e ausências.
Não mostro a ninguém. Não mostro nada a ninguém: Nem quem eu sou nessa hora, nem quem me faz falta agora.
Guardo as lembranças e bobagens num canto escondido. Lustro-as para mim mesma.
Não vou dizer para vocês o que me causa dor. Vocês diriam que é pura bobagem.
Mas daquele sorriso bobo, eu não esqueço.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
4 Cheiro de saudade
Que cheiro tinha a sua: Café ou sabonete?
A minha tem cheiro de terra. Cheiro de mato. De chás que são capazes de curar joelho ralado, coração partido e até câncer dos brabos.
Sempre com as mãos sujas e unhas curtas, colhendo, plantando, descascando limões.
Sempre sorrindo, quando chegávamos com nossa malinha para passar o fim de semana.
A casa grande, tinha cheiro de vó. De pó. De velho. Das lembranças que ela guardou sem gastar. Das roupas bonitas que nunca usou. A casa tinha cheiro de canto sem dono, onde todos podiam sentar, comer, correr na escada de caracol...
A estante lotada de livros por ela nunca lidos, mas ali, completamente disponíveis para os netos folhearem mesmo sem saber ler. Minha avó mal sabe ler, mas escreve. Não só Escreve, Foi escrita como um grandioso livro: Um livro onde se conhece filosofia, medicina, psicologia, teologia e sociologia.
Minha avó é vida, pura vida! Por mais que a cada encontro eu veja seus ombros curvarem, e hoje eu saiba que ela não pode mais se abaixar para passar saliva nos meus joelhos rachados nas brincadeiras de criança, a vejo ali, como Vida, Pura Vida! Mesmo que eu a veja diminuir, encolher, ela é Vida, Pura Vida.
Sei que a morte a tem rondado, como um predador silencioso. E lamento profundamente que nada possa ser feito. Aí, me lembro das tantas avós, com cheiro de café, sabonete, terra, ou tempero que já deixaram em seus netos a saudade do olfato.
Lembro das avós que dormiram para sempre, com seus terços na mão. Lembro das avós que fecharam seus olhos com bíblias no peito. Lembro da minha avó, da oração de São Francisco que rezamos juntas tantas vezes, enquanto eu pedia: “Fazei de mim instrumento de vossa Paz” e ela segurando o terço e de joelhos dobrados pedia por mim.
Vó, hoje seus joelhos não se dobram mais. Sua mão não trabalha mais a terra, mas os seus Chás e os limões ainda são capazes de curar quase tudo.
E a oração de São Francisco, pendurada na parede do seu quarto, está sempre guardada em meu coração.
Hoje eu pedi para Que eu possa pentear-lhe os cabelos grisalhos muitas vezes, trançando-os ou prendendo-os num coque baixo, enquanto você dedilha as contas do rosário e pede para que eu seja um instrumento de Paz, nesses dias de Guerra que teus chás já não podem curar.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
4 Calada e em paz
Nunca fui foda. Nunca fui a boazona da turma, chefe da gangue do kisuco.
Eu era a garota que sentava no fundão. Quietinha, mas que passava cola. Gente boa. Aquele tipo que todo mundo gosta, mas que ninguém convida pra nada. A garota que se calava quando o assunto era defender-se de pequenas injustiças, mas que chorava na aula de história ao pensar nos escravos que aqui aportaram em navios negreiros, tinha crise de nervos ao ver o colega de turma sendo humilhado pela professora ditadora e emocionava-se com pequenas demonstrações de afeto.
Sempre fui a tola. A idiotinha. A nerd que passava mais tempo na biblioteca do que na quadra de esportes.
Não obtinha vitórias. Não era a malandrinha que paquerava no recreio, nem a melhor aluna da turma. Era muda. Podia entrar ou sair de grupos com a mesma facilidade que o ar entra pelas frestas de uma casa.
Evitava qualquer coisa que pudesse me indispor com professores e colegas. Evitava qualquer coisa que fizesse meus pais envergonhar-se de mim. Achava que ser como eu era, já era vergonha demais.
Não queria que olhassem pra mim, Porque não sei lidar com os olhares, com aplausos e críticas.
Certa vez, numa partida de futebol, me lançaram uma bola e eu bati a minha cara com tanta força na bola que desmaiei. Nesse dia, descobri que meus colegas sabiam meu nome, porque gritavam: “Deise, Você fez um Gol!” o único da minha carreira esportiva. Naquela dia, as pessoas me olharam. Gostei de ser vista. Gostei de ouvir meu nome saindo de várias bocas, em vários sons. O prazer promovido pela vaidade.
Mas aquilo tinha sido um incidente. Não era para ter acontecido. Muitas coisas não deviam ter acontecido.
Eu quis continuar aparecendo, mas não soube. Nunca soube.
Apareci pelos motivos errados, sempre com uma bola enfiada na cara, me causando um desmaio. Uma dor.
Talvez por isso eu ainda tenha vontade de aparecer, vez ou outra. Conte piadas sem graça, ria de mim mesma, mas tenho medo da bola rebatida.
Não tomo partido, não tomo decisões, não exponho minha opinião.
Penso. Penso o tempo todo. Mas são meus pensamentos e eles não são tão importantes como os meus sentimentos.Não precisam ser partilhados, embora existam e gritem desesperados por liberdade.
Não quero deixar minha cara disponível para os que chutam a bola de volta, mesmo que isso resulte em pessoas exaltadas gritando meu nome.
Eu só concordo, porque tem tanta coisa que eu realmente adoro, tanta coisa que eu realmente acho importante, tem tanta coisa que me faz ter vontade de voltar pra biblioteca, e concordar, com cada um e com todos é meu modo de fazer a paz.
A paz que eu sinto enquanto finjo não ver que vivem muito mais os que estão no ginásio e não no silêncio da biblioteca.
Eu era a garota que sentava no fundão. Quietinha, mas que passava cola. Gente boa. Aquele tipo que todo mundo gosta, mas que ninguém convida pra nada. A garota que se calava quando o assunto era defender-se de pequenas injustiças, mas que chorava na aula de história ao pensar nos escravos que aqui aportaram em navios negreiros, tinha crise de nervos ao ver o colega de turma sendo humilhado pela professora ditadora e emocionava-se com pequenas demonstrações de afeto.
Sempre fui a tola. A idiotinha. A nerd que passava mais tempo na biblioteca do que na quadra de esportes.
Não obtinha vitórias. Não era a malandrinha que paquerava no recreio, nem a melhor aluna da turma. Era muda. Podia entrar ou sair de grupos com a mesma facilidade que o ar entra pelas frestas de uma casa.
Evitava qualquer coisa que pudesse me indispor com professores e colegas. Evitava qualquer coisa que fizesse meus pais envergonhar-se de mim. Achava que ser como eu era, já era vergonha demais.
Não queria que olhassem pra mim, Porque não sei lidar com os olhares, com aplausos e críticas.
Certa vez, numa partida de futebol, me lançaram uma bola e eu bati a minha cara com tanta força na bola que desmaiei. Nesse dia, descobri que meus colegas sabiam meu nome, porque gritavam: “Deise, Você fez um Gol!” o único da minha carreira esportiva. Naquela dia, as pessoas me olharam. Gostei de ser vista. Gostei de ouvir meu nome saindo de várias bocas, em vários sons. O prazer promovido pela vaidade.
Mas aquilo tinha sido um incidente. Não era para ter acontecido. Muitas coisas não deviam ter acontecido.
Eu quis continuar aparecendo, mas não soube. Nunca soube.
Apareci pelos motivos errados, sempre com uma bola enfiada na cara, me causando um desmaio. Uma dor.
Talvez por isso eu ainda tenha vontade de aparecer, vez ou outra. Conte piadas sem graça, ria de mim mesma, mas tenho medo da bola rebatida.
Não tomo partido, não tomo decisões, não exponho minha opinião.
Penso. Penso o tempo todo. Mas são meus pensamentos e eles não são tão importantes como os meus sentimentos.Não precisam ser partilhados, embora existam e gritem desesperados por liberdade.
Não quero deixar minha cara disponível para os que chutam a bola de volta, mesmo que isso resulte em pessoas exaltadas gritando meu nome.
Eu só concordo, porque tem tanta coisa que eu realmente adoro, tanta coisa que eu realmente acho importante, tem tanta coisa que me faz ter vontade de voltar pra biblioteca, e concordar, com cada um e com todos é meu modo de fazer a paz.
A paz que eu sinto enquanto finjo não ver que vivem muito mais os que estão no ginásio e não no silêncio da biblioteca.
sábado, 7 de maio de 2011
8 Eu queria lhes explicar...
...mas como um certo morador da Urca já cantou: "tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer..." eu não vou falar pelos cotovelos como eu sempre faço... Resumo as experiências vividas até agora em solo carioca como uma viagem para dentro de mim mesma.
Quando subi no Cristo, pensei em escrever. Pensei em cantar. Pensei em orar. Pensei em comprar uma barraca e me mudar pra lá,e lutar contra qualquer vivente que me dissesse que não dá para morar numa barraca para sempre. Enfim...mas ontem, lá, diante daqueles braços, de costas para um dos monumentos mais lindos da humanidade, eu vi uma cidade linda. Cheia de verde e azul. Uma coisa mais que deslumbrante. E olhando aquilo tudo eu só pensava, preciso trazer as pessoas aqui, porque se eu contar ninguém vai entender...
Seguinte, vou ficar bem rica, comprar um Apê na Rodrigo de Freitas e Todos poderão hospedar-se na minha casa para sentir o que eu senti. Ou só para conhecer a Lapa 40 graus. Ou só para beber água de coco, ou só para fazer qualquer alguma coisa que lhes dê tanto prazer, como deu a mim estar lá, naquele lugar. Tanto prazer como eu estou tendo agora, escrevendo rapidinho, entre uma comprinha na Lavradio e uma baladinha na Casa Rosa...
Pois é galero, se fui pobre não me lembro...
Quando subi no Cristo, pensei em escrever. Pensei em cantar. Pensei em orar. Pensei em comprar uma barraca e me mudar pra lá,e lutar contra qualquer vivente que me dissesse que não dá para morar numa barraca para sempre. Enfim...mas ontem, lá, diante daqueles braços, de costas para um dos monumentos mais lindos da humanidade, eu vi uma cidade linda. Cheia de verde e azul. Uma coisa mais que deslumbrante. E olhando aquilo tudo eu só pensava, preciso trazer as pessoas aqui, porque se eu contar ninguém vai entender...
Seguinte, vou ficar bem rica, comprar um Apê na Rodrigo de Freitas e Todos poderão hospedar-se na minha casa para sentir o que eu senti. Ou só para conhecer a Lapa 40 graus. Ou só para beber água de coco, ou só para fazer qualquer alguma coisa que lhes dê tanto prazer, como deu a mim estar lá, naquele lugar. Tanto prazer como eu estou tendo agora, escrevendo rapidinho, entre uma comprinha na Lavradio e uma baladinha na Casa Rosa...
Pois é galero, se fui pobre não me lembro...
quarta-feira, 4 de maio de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
2 Monstros noturnos
Na madrugada, me torturo. Meus pensamentos vem como uma avalanche de pedras que deslizam sobre uma alma que antes das luzes se apagarem estava leve. É madrugada. Todos deveriam dormir,mas eu não. Eu não durmo. Eu ambiciono o cerrar eterno dos olhos. A madrugada me amedronta,e me encoraja. Olho para tudo que durante o dia é penumbra,e me parece claro,na madrugada. Olho para as marcas deixadas no corpo imaculado,jurado meu eternamente e elas reluzem sob a meia luz do quarto. Olho todos os sinais,de que teu amor não é mais meu e luto contra eles,como a luz briga para vencer a escuridão desse quarto. Não quero enxergar, mas tudo ao meu redor grita,e reflete o que está acontecendo. Tento cantar nossa cancão baixinho,mas eu já não me lembro dos acordes. Choro na noite sem fim,enquanto dormes a noite que achas curta. Investigo minha própria mente atrás de algo que me faça ver como td é sem sentido... Mas,é madrugada e quando é madrugada,o sem sentido é sentido por quem não conseguiu fechar os olhos. Choro em silêncio uma noite mal dormida, uma vida mal vivida, sentimentos mal entregues. Choro e calo,e me amaldiçoo por ser tão fragil qdo apagam as luzes e tudo oq não quero ver me salta aos olhos.
Assinar:
Postagens (Atom)











